Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

A democracia e o bem comum

Postado em 21-10-2013

 

Pe.  João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Há poucos dias um respeitado economista, alto funcionário de carreira do Banco Central, fez observações muito pertinentes sobre os sérios problemas que o Brasil tem de arrostar, sob pena de comprometer gravemente o seu futuro.

Referindo-se ao grande avanço que o Brasil conquistou durante os dois governos de FHC no campo da racionalização e eficiência do funcionamento do Estado, disse o economista que nenhuma das medidas então adotadas que nos garantiram um grande salto, como, por exemplo, tudo quanto concernia à estabilidade econômica, ao controle fiscal etc, era bandeira de movimentos sociais ou objeto de manifestações populares,  ou estava presente na  arenga dos candidatos aos cargos eletivos, mas, ao contrário, tudo foi fruto do trabalho de homens idôneos que souberam exercer uma liderança sobre a sociedade.

Semelhantes considerações devem iluminar todos os homens de bem que se esforçam, dentro de suas possibilidades, por esclarecer a opinião pública sobre a farsa da democracia nascida da Revolução Francesa, que as diversas correntes ideológicas anticristãs do mundo moderno impingem a toda sociedade como se fosse o único regime político legítimo capaz de assegurar a justiça, a paz e a participação de todos na vida pública. As mencionadas reflexões do economista do Banco Central fazem ver com absoluta clareza que a atual democracia, sobretudo por meio do sufrágio universal igualitário e da partidocracia, só alimenta e favorece a escória da sociedade em sua ambição pelo poder a fim de obter vantagens pessoais, além de impedir que os melhores elementos, os mais capacitados, possam prestar à nação um serviço que só eles estavam aptos a prestar. Com efeito, as lideranças que tiveram consciência dos  problemas prementes que tinham de solucionados para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros jamais seriam sufragadas nas urnas. Pelo contrário, tiveram de enfrentar a resistência, a má vontade, a mediocridade, desonestidade da imensa maioria dos “representantes do povo” no Congresso Nacional. E, no entanto, aquelas  lideranças que descortinavam para o Brasil novos horizontes representavam as forças vivas da sociedade.

Por conseguinte, é preciso reconhecer que o atual sistema representativo é completamente deficiente porque vive da exploração do discurso demagógico que domina o período eleitoral ao toque dos marqueteiros. O sistema atual não seleciona os melhores mas antes os exclui e alija da vida política. E a consequência disto não pode ser outra senão a ruína de toda sociedade, não só da economia, mas de todos os valores espirituais e culturais da civilização. É o  triste espetáculo a que vimos assistindo.

O que a Sra. Rousseff está fazendo, juntamente com todo o partido dos tapeadores, para garantir a vitória nas urnas em 2014 é um crime contra o bem comum da nação brasileira. Tudo vale para ganhar as eleições, nada é feito para resolver os problemas reais e construir um futuro melhor  para o Brasil. O que importa é dopar a populaça com a orgia das promessas eleitoreiras e programas sociais. Dentro de 5 anos o Brasil será uma grande sucata de norte a sul.

O mais doloroso, porém, é ver que quem tem a obrigação moral de denunciar tudo isto fica calado, com medo de receber apodos como “fascista”, reacionário e outros piores. Muitos vêem o problema, mas não têm coragem de apontar a sua causa: os falsos princípios em que se alicerça a democracia moderna: a concepção individualista da sociedade, a heresia política da soberania popular, a partidocracia, a idolatria da democracia como única forma de governo aceitável, a tripartição do poder atribuindo a uma espúria assembleia de deputados e senadores (que absolutamente não representam a sociedade, repito) a excelsa tarefa de legislar, enfim, a demagogia que permite ao PT perpetuar-se no poder.

O fato é que, enquanto perdurar o engodo da “democracia”, será inútil e ineficaz combater os grandes erros do nosso tempo como a destruição da família pela ideologia do gênero, o aborto, o controle da natalidade, a eutanásia, pois é a cultura democrática moderna que os gera.

Para remate, ainda que correndo o erro de parecer pedante pela citação, desejaria dizer que a democracia liberal moderna, que a tantos pareceu como o fim da história, como se a humanidade não tivesse outro caminho a percorrer nem outro regime melhor a adotar, a meu ver, tem seus dias contados, tamanha é a sua iniquidade. Com efeito, como dizia Platão, a injustiça não pode ser levada a suas últimas consequências, sob pena de autodestruir-se. Como sobreviverá um regime abortista e contrário à família?

Sem dúvida, é o que se verificará. Basta pensar que os EUA fizeram com o beato Carlos I e o Império Austro-húngaro ao final da Primeira Guerra Mundial, o que fizeram com o Leste Europeu ao final da Segunda Guerra Mundial, o que fizeram com o Império Português ao tempo de Salazar, o que fazem hoje com a Líbia, o Egito, a Síria, o Congo (tomando toda a riqueza mineral deste país infeliz pelas mãos de bandidos) e tantas outras iniquidades a que se associam as “grandes democracias” do Ocidente, bafejadas pelo ONU e pela nova religião ecumênico- mundialista e maçônica, basta pensar nestas coisas para ver que a paciência de Deus está a esgotar-se e a Providência Divina prepara um merecido castigo contra a Babel democrática: “Por que se embraveceram as nações, e os povos meditaram coisas vãs? (…) Aquele que habita no céu zombará deles, e o Senhor os escarnecerá (Salmo 2, 1 e 4).

Anápolis, 21 de outubro de 2013.

Santo Hilarião Abade, Santa Úrsula e suas companheiras mártires.