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Missa no rito romano tradicional em Anápolis

A Grécia, a Europa e a Igreja

Postado em 10-06-2012

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Os ideólogos da União Europeia estão lamuriando-se ante a perspectiva de uma possível saída da Grécia da zona do Euro. Dizem que as raízes de toda a civilização ocidental se encontram na antiga Grécia, que seria o berço de todos os valores e instituições da nossa cultura.

Não há dúvida de que nossa dívida para com a Grécia de 25 séculos atrás é imorredoura. Berço da filosofia e do verdadeiro espírito científico, a Grécia representa um marco na história de toda a humanidade. O valor e o mérito da Grécia são tão grandes que o próprio cristianismo, apesar de tão perseguido pelo mundo pagão, reconheceu que a sabedoria dos antigos gregos representava algo extraordinário nos desígnios da Providência Divina como uma preparação para a encarnação do Verbo. Foi assim que São Justino e Clemente de Alexandria entenderam a relação entre a filosofia e a nova religião então nascente. Foi dentro dessa visão de harmonia entre fé e razão que os grandes doutores medievais cultivaram a filosofia de Platão e Aristóteles. E fizeram-no muito melhor que outros pensadores árabes e judeus.

O reconhecimento dos méritos da antiga Grécia foi algo tão notável e unânime que Carlos Magno e seu ministro Alcuíno organizaram no império dos francos uma espécie da academia de estudos filosóficos e pretenderam que toda antiga sabedoria dos gregos se transladasse para a França. Alem disso, como se sabe, durante toda a Idade Média, (e  bem antes, se pensarmos na obra de Boécio) os mosteiros foram centros de cultura onde se preservou e transmitiu a sabedoria antiga. Não fosse a Igreja, todo o saber antigo se teria perdido.  É fato histórico bem conhecido que a maior biblioteca da antiguidade, a de Alexandria do Egito, foi destruída por ordem do califa muçulmano Omar, que disse que todos aqueles livros da biblioteca  ou eram inúteis ou eram nocivos, pois toda verdade se encontra no Corão e se algo está fora do Corão não é verdade e deve ser destruído.

Portanto, como qualquer pessoa dotada de honestidade intelectual pode comprová-lo, a Europa teve na verdade como sua mãe a Santa Igreja que a nutriu sempre com o alimento da verdade, da sabedoria e da ciência, fosse a verdade sobrenatural da Revelação divina, de que é depositária, fosse a verdade racional ou natural, de que foi sempre zelosa guardiã e protetora, pois foi a grande patrocinadora das universidades europeias.

Mas será justa a lamúria dos ideólogos da União Europeia diante da situação catastrófica da Grécia em nossos dias?

A grande questão é saber se realmente a União Europeia que se pretende construir sobre as ruínas da civilização cristã tem raízes na antiga Grécia. A resposta negativa impõe-se com toda firmeza e evidência. Absolutamente a União Europeia não tem nada que ver com a antiga Grécia. A União Europeia é um monstrengo produzido nos laboratórios da alquimia maçônica e nas ridículas academias dos iluministas emperucados. A Europa de hoje é fruto podre dos crimes horrendos e sacrílegos da Revolução Francesa. De modo que, se não se corrigir e emendar, o futuro que a espera só pode ser a ruína, tantos são os seus pecados. A Grécia não é um símbolo da União Europeia, como disse alguém. Poderia, talvez, ser considerada um símbolo da Europa cristã tradicional, espezinhada pelas lideranças políticas da Europa de nossos dias que renegam suas origens.

A antiga Grécia procurava com afinco a sabedoria, contemplava a ordem do universo, meditava sobre a causa primeira  das coisas, construía o saber metafísico, reconhecia o primado do espírito sobre a matéria, era racional e não racionalista.

Ao contrário, a União Europeia despreza todos esses valores tão característicos da antiga Grecia e por isso mesmo está cavando a sua própria sepultura. Onde está a busca da sabedoria e o apreço pela ordem na Europa de nossos dias? A filosofia cultivada na Europa moderna é a negação da metafísica, não passando de um subjetivismo doentio. A  repugnante democracia moderna, baseada no sufrágio universal, no individualismo e no igualitarismo, não tem nada que ver com o realismo e o espírito aristocrático dos antigos gregos. A política para os antigos gregos estava intimamente ligada à ética e a cidade grega devia ajudar o homem na prática das virtudes. Onde está a preocupação com a verdade moral na mente dos governantes da União Europeia? O racionalismo cientificista e agnóstico dos homens de Bruxelas não tem nada que ver com o logos e physis dos antigos gregos. A Europa de hoje está muito mais próxima de Sodoma e Gomorra do que de Atenas, pois Platão considerava a pederastia uma prática própria de quadrúpedes e a União Europeia hoje é quase que a união dos pederastas.

De maneira que, se alguém pode reivindicar o legado cultural da antiga Grécia, é a Igreja que tem o direito de fazê-lo.

Quanto à União Européia, o que podemos e devemos desejar é sua completa, acabada e perfeita dissolução, porque não passa de um projeto ideológico de políticos degenerados que se recusaram a incluir em sua constituição, como queria o papa Bento XVI, um parágrafo alusivo às suas raízes cristãs. Nisi Dominus aedificaverit domum in vanum lobaraverunt qui aedificant eam.

Em tempo: e nós brasileiros temos uma razão a mais para amar a Grécia, pois os gregos, logo após a guerra de libertação do Império Otomano, ofereçam a D. Pedro I a coroa real da Grécia!

Anápolis, 10 de junho de 2012
Festa de Santa Margarida Rainha da Escócia