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A lei mosaica, o talmud, a cabala, a sinagoga e a Igreja

Postado em 12-01-2013

Si Si No No, na edição de 30 de novembro de 2012, publicou um excelente artigo sobre a relação entre a Igreja e o judaísmo, refutando a calúnia de fomentar o ódio racial e religioso que lhe foi assacada.

Traduzimos a seguir os parágrafos mais esclarecedores sobre o assunto. O artigo baseia-se principalmente sobre dois trabalhos científicos sobre a questão judaica: L’Antisemitisme, do jornalista israelita Bernard Lazare, e um estudo da Civiltà Cattolica.

O artigo de Si Si No No recorda a fundamental distinção entre o judaísmo do Antigo Testamento e o judaísmo talmúdico depois de Cristo. O esquecimento dessa distinção é causa de muita confusão sobre o problema. Diz o artigo assinado por Crispinus:

 

Sobre o assunto é preciso recordar a distinção importantíssima entre a lei mosaica e a talmúdica, entre o judaísmo antes e depois de Cristo. A lei mosaica, totalmente relativa ao Cristo futuro, foi retomada e aperfeiçoada pelo cristianismo; a lei talmúdica, ao contrário, é a antítese e a corrupção da lei mosaica e cristã. O talmud e a cabala espúria impediram a conversão do povo eleito ao Messias; o predomínio dos fariseus impediu que Israel entrasse na Nova e Eterna Aliança porque o talmudismo é uma degeneração carnal da religião mosaica. Com efeito, enquanto o mosaísmo ensinava que Israel tinha sido eleito para acolher o Cristo e fazê-lo conhecido a todas as nações e povos, os fariseus e cabalistas talmudistas sustentavam que o mudo foi criado “para ser submetido ao império universal…dos hebreus (Bernard Lazare, o. c. p. 14). Eis aí a nova religião judaica que não tem nada que ver com a Bíblia e com Moisés: o domínio do hebraísmo sobre o mudo todo!

Segundo esta concepção, de uma parte estão os hebreus, os verdadeiros homens, e de outra parte, os não hebreus, os “goins”, que são como bestas falantes e devem ser escravos dos hebreus. Quando vem o Messias pregando o Evangelho do Reino dos Céus, aperfeiçoamento e cumprimento do Antigo Testamento. os fariseus e talmudistas, embora soubessem que Ele era o Messias e o próprio Deus. odiaram-no profundamente até condená-lo à morte, porque lhes contradizia o sonho imperialista de domínio material sobre o mundo inteiro.”

É com a corrupção do mosaismo em talmudismo que teve início uma perseguição sistemática contra os hebreus, também no mundo pré-cristão (cf. B. Lazare, o. c. p. 17). Esse fenômeno explica-se facilmente: ao nascer o ódio e o desprezo a todos os povos não judeus, nasce também a inevitável reação destes últimos.

O artigo explana também com argumentos lúcidos a relação entre o judaísmo e o protestantismo, bem como explica o papel da Inquisição em relação aos judeus:

“Contrariamente a quanto se crê em geral, a Inquisição não perseguia os hebreus por causa da raça ou da religião deles, mas somente na medida em que eles incitavam à judaização ou, então, após uma eventual conversão ao cristianismo, voltavam a judaizar.

A Igreja não queria a eliminação dos hebreus (postos em um estado de inferioridade legal) considerando-os um testemunho vivo do triunfo de Cristo. “Asssim, o único apoio – admite B. Lazare – que o hebreu encontrou foi o Papado e a Igreja. Se a Igreja conservou os hebreus não foi tadavia sem replicar-lhes e puni-los (,,,). Mas o papel principal da Igreja foi o de combater dogmaticamente a religião hebraica (o. c. p. 70).”

Quanto à falsa reforma protestante, diz o artigo que já antes da revolução religiosa, no período do Humanismo e da Renascença, os cristãos se tornaram menos fervorosos, enquanto os judeus não mudavam em nada seu modo de ser. Os judeus passaram a ser admitidos pelos humanistas como mestres do hebraico e iniciaram a muitos nos mistérios da Cabala. (De fato, a história da filosofia registra no período um surto de esoterismo, ocultimo e hermetismo). Com isso, o hebraismo contribuiu muito para uma nova exegese da Sagrada Escritura que o protestantismo empregou contra a Igreja, esclarece o artigo: “Quando Lutero publicou suas teses (…) por um instante os teólogos esqueceram os hebreus e o movimento que se estava propagando, movimento que lançava suas raízes nas fontes hebraicas. É o espírito hebraico que triunfa com o protestantismo (….). É singular a analogia entre Lutero e Maomé. Ambos fundamentam suas doutrinas nas fontes hebraicas (Bernard Lazare, o. c. p. 73-84).

Cumpre acrescentar, no que se refere à relação entre judaísmo e protestantismo, que no protestantismo popular dos nossos dias, nas seitas mais vulgares, a influência do judaísmo é muito mais notável, sobretudo pelas interpretações mais esdrúxulas do Antigo Testamento e da teologia da prosperidade.

Como dito acima, o artigo de Si Si No No reporta-se a um estudo da outrora respeitadíssima publicação dos jesuitas La Civiltà Cattolica. Em um artigo publicado em 1884, diz assim La Civiltà Cattolica: ” A antiga e a moderna  Sinagoga (…) são entre si  não só divergentes mas apostas (…). Se os hebreus de hoje seguem a lei mosaica, não se pode achar razão suficiente desta sempre mais profunda antipatia entre o judeu e o não judeu, especialmente se cristão (…). Ora, essa razão encontra-se naquela contradição que há entre a antiga, santa e assistida Sinagoga mosaica e a moderna, ímpia e inspirada sinagoga rabínica. Essa contradição versa sobre os pontos não apenas de fé mas de moral e não só da moral cristã mas também da moral natural (…) O judaísmo de hoje é contrário à lei de Mosés e dos Profetas.”

O artigo conclui-se com a afirmação bem clara de que não se trata de antissemitismo (vocábulo equívoco porque nem todos semitas são judeus), dizendo:

“O católico deve desejar de coração que os judeus se convertam e vivam; portanto querer liquidar o problema hebraico mediante o ódio gratuito é um desígnio criminoso e louco. O católico, além do mais, não pode ficar indiferente ou ignorar que o judaísmo atual se acha em um estado de reprovação da parte de Deus e por isso deve esforçar-se, com caridade unida à prudência (“simples como as pombas, prudente  como as serpentes), por ajudar os judeus a sair do seu estado de orgulhosa cegueira, que os impede de reconhecer o Messias já vindo e os leva a sonhar com outro messias que lhes dará o domínio sobre o mundo todo.

Tudo isto não é antissemitismo mas o coração do verdadeiro cristianismo: “A vossa fala seja sim sim não não, o mais vem do maligno.”

O excelente artigo de Si Si No No representa uma grande contribuição para esclarecer um dos pontos nevrálgicos da crise da Igreja que explodiu por ocasião do Vaticano II, com o falso ecumenismo e o diálogo interreligioso (Nostra Aetate e Dignitatis Humanae) que contradizem o magistério tradicional ( cf. Mortalium animos de Pio XI). Com efeito, é absolutamente falso dizer que os judeus de hoje são nossos irmãos mais velhos na fé ou nossos pais na fé. Ou pior ainda dizer que a sinagoga de hoje é irmã mais velha da Igreja Católica ou sua mãe na fé!  Abraão, sim, é nosso pai na fé, é pai dos crentes.  Nosso Senhor,  no Evangelho, diz que Abraão viu o seu dia e alegrou-se (Jo. 8, 56). Abrãao, Moisés e os profetas são nossos pais na fé. O Talmud, a falsa Cabala, não. (Para maiores esclarecimentos sobre o assunto leia-se Él judio en el misterio de la historia, do Pe. Julio Meinvielle, Cuz y Fierro, Buenos Aires, 1988; El talmud desenmascarado!, Editorial La Verdad, Lima, 1981; Il mistero della sinagoga bendata, de Enrico Maria Radaelli, Effedieffe, Milano, 2002)

Ao concluir esta resenha muito resumida do artigo de Si Si No No, desejaria dizer que nesses tempos de apostasia pós-conciliar uma das pessoas que mais me ajudou a preservar a fé foi um ilustre leigo católico convertido do judaísmo, o qual foi foi também um colaborador de Gustavo Corção.

Tradução e comentários do Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Anápolis, 12 de janeiro de 2013