Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

A pastoral da camisinha

Postado em 22-11-2010

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Infelizmente não ficará sem amargas conseqüências a temerária opinião expressa pelo Santo Padre sobre a licitude em caráter excepcional do uso do preservativo pelos prostitutos, ou, para ser politicamente correto, pelos profissionais do sexo.

É verdade que as palavras do papa foram retiradas pela midia do contexto de uma longa reflexão filosófica sobre a banalização da sexualidade humana com o propósito de promover o sensacionalismo, a confusão e o escândalo.

Há várias coisas a considerar a respeito. Limito-me a algumas.

Para a tranqüilidade dos católicos, cumpre ressaltar em primeiro lugar que se trata de uma opinião do papa, emitida durante uma entrevista. Não se trata de um documento do magistério. Portanto, não se atribua tanta importância ao que não a merece. Surgiu a moda de os papas serem escritores, poderem manifestar com mais liberdade suas idéias, seu talento literário, sem ficarem adstritos às obrigações da cátedra. Escrever um livro, ainda mais em forma de entrevista, é bem mais ameno que escrever uma encíclica dogmática.

Mas na prática é preciso reconhecer que os resultados da declaração do papa serão os piores. Como se sabe, a pressão dos progressistas que reivindicam há anos uma mudança da moral católica é enorme. Querem reformular a doutrina constante da Igreja contida na encíclica Humanae Vitae de 1968.

Querem ainda reforçar e estreitar  a colaboração da Igreja com as diversas ONGS e organismos filantrópicos internacionais que atuam justamente no combate à epidemia da AIDS e no falso direito da mulher a decidir-se pelo aborto.

Além dos progressistas há as forças seculares francamente anticristãs que querem a destruição completa da Igreja. Ora, essas forças já conseguiram uma grande vitória por ocasião do Vaticano II com a liberdade religiosa, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Pois tudo isto vem na direção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que condena qualquer discriminação por motivos religiosos. Quer dizer, não pode mais haver estado confessional católico. E hoje já se fala abertamente contra a discriminação dos homossexuais. Tudo isso é uma bola de neve que vai parar num precipício da perdição geral. Só não vê quem não quer.

Pois bem, essas forças seculares, de matriz maçônica, sentem-se incomodadas com a moral católica. Querem uma moral em harmonia com a nova religião ecumênica. Uma moral que liberte o homem dos tabus e preconceitos, como dizem os mundanos.

Está claro que a pressão sobre o papa para ceder na área da ética sexual deve ser fortíssima. Suas declarações por ocasião de sua viagem à África provocaram a ira da ONU e da União Européia.

Creio que seu livro em forma de entrevista com a sua opinião temerária sobre o uso extraordinário do preservativo tenha sido uma espécie de expediente para abrandar a ira dos tais organismos internacionais da saúde e do combate à pandemia da AIDS. E a impressão que se tem é de que o Vaticano se sente acuado pela política internacional de lideres mundiais anticristãos.

Mas o fato é que os progressistas debochados vão sentir-se autorizados a promover a pastoral da camisinha benta. Não há exagero nenhum no que digo.

Em Londres existe uma missa dos gays em paróquia católica. Nos EUA, até há pouco tempo ( não sei se continua havendo) havia um coral gay em missa dominical paroquial, não obstante os clamorosos protestos dos católicos. Por ocasião do jubileu do ano 2000, quando João Paulo II teve a infeliz idéia de pedir perdão por supostos erros cometidos pela Igreja no passado, houve um cardeal (não me lembro se de Los Angeles ou Las Vegas) que declarou que a Igreja no futuro pediria perdão aos gays por tanta intolerância (cf.  revista 30 Dias daquela época). No Brasil já houve prelado defendendo casamento civil gay, etc.

Se levarmos em consideração todos esses fatos, veremos com mais acuidade o contexto geral em que ocorre a declaração do papa em sua entrevista. Um contexto de decadência moral, de grande perigo para a Igreja e salvação das almas. (Quem pensa e fala ainda em salvação das almas?).

Para remate, desejo dizer com toda franqueza que discordo completamente da opinião do papa Bento XVI. Sua Santidade pensa que o uso do preservativo por um prostituto pode ser um primeiro passo que obrigue o homem a tomar consciência dos limites da liberdade humana (o prostituto, nas palavras do papa, seria levado a ver que não se pode fazer tudo o que se quer nesta vida). Pensar assim é pura ingenuidade.

Ao contrario, penso que aceitar o uso do preservativo, ainda que negando que seja a solução do problema, é incentivar a malandragem. É como se eu dissesse a um larápio furte com esperteza, com arte, de forma que não seja preso e sofra as conseqüências do seu ato.

Mais ainda, digo que é bom que os sodomitas contumazes sejam infectados pelo vírus. Terão quem sabe as últimas misericórdias de Deus no leito hospitalar, confessando-se e recebendo toda assistência espiritual da Igreja e salvando sua alma. Esta é a visão sobrenatural do problema. O resto é filantropia maçônica de quem não tem fé ou deixou-se enganar completamente pela demagogia da ONU e outras instituições infernais.

Anápolis, 22 de novembro de 2010.

Festa de Santa Cecília, Virgem e Mártir.