Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

A serviço de quem está Sandro Magister?

Postado em 14-07-2020

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

A serviço de quem está o vaticanista Sandro Magister em suas críticas ao Arcebispo Carlo Maria Viganò? Sua atitude ridícula de pedir uma intervenção da Congregação para a Doutrina da Fé contra Dom Viganò, seus artigos sem nenhum conteúdo doutrinário, expressam apenas seu apego desordenado ao ex-papa Bento XVI e a sua ilusória hermenêutica da continuidade, um verdadeiro sofisma que hoje não engana mais ninguém.

O pós-concílio, e sobretudo o pontificado do papa Francisco Bergoglio, provam à exaustão que o Vaticano II representa uma ruptura com a tradição bimilenar da Igreja.

Francisco faz questão de frisar que uma continuidade doutrinal não se sustenta diante de tantas alterações no magistério e na pastoral da Igreja do Vaticano II. Penso que Francisco mudou o catecismo de João Paulo II, abusivamente chamado “Catecismo da Igreja Católica”, no parágrafo referente à licitude da pena de morte, justamente com o objetivo de sublinhar que a Igreja realmente mudou, abriu-se à mentalidade do mundo moderno, aderiu à cultura liberal da soberania do indivíduo, e sepultou a encíclica Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX.

Defender hoje a tese de que o Vaticano II está em continuidade com a tradição da Igreja é uma tarefa inglória. Os documentos ambíguos do Vaticano II, com citações do magistério precedente para enganar os conservadores, hoje, depois que foram aplicados pelos papas pós-conciliares à vida de Igreja, já não deixam margem a nenhuma dúvida: deram origem a uma nova religião que a cada dia se afasta mais da tradição católica.

O sr. Sandro Magister não tem razão de estar escandalizado com o pontificado de Francisco Bergoglio e ao mesmo tempo criticar Dom Carlo Maria Viganò. Afinal, este bispo está apenas evidenciando que Bergoglio leva às últimas conseqüências o Vaticano II que seus predecessores vinham aplicando a conta gotas.

Ademais, o sr. Sandro Magister sabe, perfeitamente, que D. Lefèbvre e D. Mayer não foram os únicos bispos que não aceitaram o Vaticano II. Recorde-se,a propósito, que vários bispos apoiaram publicamente o livro de mons. Brunero Gherardini, Vaticano II – un discorso da fare, que propõe uma revisão dos documentos do concílio que contradizem o magistério tradicional da Igreja. Eu mesmo ouvi da boca do cardeal Pietro Palazzini, um dos maiores teólogos moralistas do século XX, que Iota unum – studio delle variazioni della Chiesa Cattolica nel secolo XX, de Romano Amerio, uma robusta crítica do concílio Vaticano II, era uma obra incontestável. Aliás, quando Paulo VI impôs a aposentadoria compulsória dos bispos aos 75 anos de idade e alijou do sacro colégio os cardeais que atingissem a idade de 80 anos, ele não tinha outro motivo senão afastar os bispos que não se entusiasmavam com as reformas promovidas por ele, Paulo VI, na aplicação do concílio

Que o Sr. Magister se convença de uma coisa: hoje Bergoglio está mais incomodado com ele do que com Dom Vigano.

Portanto, Sandro Magister está a serviço de uma igreja que só existe na  cabeça dele, a quimera da igreja da hermenêutica da continuidade.

Porque a verdade é que hoje a maioria dos católicos, corrompida pelo liberalismo e pelo modernismo, está muito contente com a igreja moderna nascida do Vaticano II sob a batuta de Francisco Bergoglio. Está contente com Amoris Laetitia, porque é divorcista. Está contente com o sínodo da família, porque é aberta aos costumes mundanos e às novas formas de relacionamento humano. É mais que tolerante quanto ao dogma, pois acha que todas as religiões são boas e diz que o importante é que a religião seja professada com sinceridade. Está contente com o sínodo da Amazonia, porque acha que o grande pecado é mesmo a destruição da natureza.

Existe uma minoria de católicos que está tomando cada vez mais consciência dos graves problemas da Igreja causados pelo Vaticano II e está reagindo e voltando-se para a tradição católica, passando a assistir à missa romana tradicional, ridiculamente chamada por Ratzinger como “forma extraordinária do rito romano”.

Só o míope Magister não o vê.