Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

De olho na Ucrânia. Chegou a hora de Deus agir?

Postado em 21-01-2014

Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Não me aventuro aqui a uma análise da política internacional, que foge à minha competência. Desejo apenas manifestar a algum eventual leitor amigo as minhas esperanças diante dos escombros da sociedade moderna.

Li há poucos dias uma notícia tremenda, que clama aos céus: Bruxelas traça diretrizes para a educação sexual nas escolas dos países membros da União Europeia: ensinar às crianças de 4 anos a prática da masturbação, às de 6 anos o amor gay, às de 12 o aborto.

Tendo-se degradado a tal ponto as instituições religiosas, políticas e sociais da civilização ocidental, não havendo mais nenhuma liderança em que se possa razoavelmente confiar, sendo a própria Igreja inepta ante tamanha catástrofe, inclino-me a pensar que chegou realmente a hora de Deus agir e busco vislumbrar os sinais e os lugares por onde a Providência Divina possa começar a manifestar mais claramente sua ação.

Não tenho nenhum interesse em descobrir e analisar a estratégia dos grandes do mundo para conquistar o poder ou nele perpetuar-se, porque bem sei que no mundo moderno, depois de Maquiavel a política se reduz à luta pelo poder, ainda que à custa do sofrimento dos mais pobres e desvalidos.

O que me interessa é ver como Deus escreve certo por linhas tortas, como o homem se agita e Deus o conduz (Bossuet), como Cristo é o Senhor da história. O que me interessa é ver como sempre a nós católicos compete confiar em Deus e resistir à prepotência dos hereges e inimigos do Reino de Cristo.

Quando os homens confiam em Deus e se dispõem a cumprir sua santa vontade, todos os planos, até os mais engenhosos, arquitetados pelos inimigos da Igreja se esboroam e se realizam verdadeiros milagres na história. E Deus serve-se de instrumentos os mais frágeis e desprezíveis para realizar as suas maravilhas. Lembremo-nos do que ocorreu no início da gloriosa Guerra Civil Espanhola, o famoso cerco do Alcazar de Toledo. Por dois meses, passando pelas mais terríveis provações, sofrendo ataques e bombardeios dos comunistas, os quase 2 mil católicos confinados na célebre fortaleza de Carlos V, comandados por um valoroso militar, o Coronel Moscardó, (homem medíocre e desprezível aos olhos do mundo, mas de grande fé e devoto de Nossa Senhora), confiando na Providência resistiram não só aos inimigos declarados mas também aos maus católicos liberais que propunham uma rendição e acordo com os comunistas. (Houve a sinistra figura do cônego Camarasa enviado ao Alcazar a pretexto de dar aos católicos assistência religiosa, mas na verdade com o propósito de convencê-los de que o regime republicano não era hostil à religião.)

Contudo, o mais digno de ponderação no episódio épico do Alcazar é ver que, quando a ética se sobrepõe à estratégia, a vitória da boa causa, ainda que seja mais dificultosa, é muito mais nobre e bela. Com efeito, o Generalíssimo Francisco Franco, arrostando as hordas de comunistas, socialistas e anarquistas, aproximava-se de Madri, de modo que de um só golpe poderia derrubar o governo republicano e pôr fim à guerra civil. Foi aconselhado a assim agir, quer dizer, a ocupar a capital e a postergar o avanço sobre Toledo, mas sabendo das aflições e perigos iminentes dos sitiados do Alcazar, decidiu para lá marchar com a tropa dos soldados mouros a fim de libertá-los. Agiu conforme a ética, conforme o espírito cristão, conforme o ideal dos cruzados de São Fernando de Castela e São Luís de França. Realmente, na minha opinião, no século XX, o Século do Nada, como o definiu Corção, só houve três estadistas dignos de respeito: Carlos I da Áustria, o Generalíssimo Francisco Franco, caudilho das Espanhas, e Antonio de Oliveira Salazar. Tenho sérias dúvidas quanto a Winston Churchill. Se vivesse hoje, estaria defendendo no Partido Conservador o casamento gay, ele que dizia que as duas instituições da marinha inglesa eram chibata e a sodomia.

Hoje o mundo vive um terremoto político e o epicentro parece ser a sofrida e valorosa Ucrânia, país tão caro a nós brasileiros pelos vínculos com que a ela nos unem  os imigrantes ucranianos e seus descendentes no Paraná. Quebrada financeiramente, a Ucrânia, conforme o noticiário, foi socorrida pela Rússia. A Alemanha, detentora das finanças da União Europeia, recusou-se a auxiliá-la.  Não obstante, a União Européia e os Estados Unidos, que promovem em nossos dias uma verdadeira revolução anticristã mundial, tentam impedir que a Ucrânia se associe à União Eurasiana, liderada pela Rússia. A qual tem tido o mérito de combater o avanço do islão na Eurásia. Diz-se que a Ucrânia é um fator importantíssimo para o equilíbrio geopolítico de toda a região, por vários motivos.

Em conclusão, a minha esperança é que a disputa em torno da Ucrânia ( e se diz que também em torno da Síria) sirva para desmantelar a União Europeia e obrigar os Estados Unidos e todo o Ocidente a uma conversão, a uma volta aos valores cristãos tradicionais, às nossas raízes históricas. A minha esperança é que esse conflito tenha potencial para destruir esse regime bárbaro que é a democracia moderna nascida da Revolução Francesa,a qual recrudesceu em malícia e perversidade após a Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos Aliados e o fim da Roma de Pio XII, da Espanha de Franco e do Portugal de Salazar.

Quem sabe, depois de muito sofrimento e uma grande purificação de toda a humanidade, os cristãos voltem a ter a verdadeira concepção da política cristã, a organização de toda a sociedade em vista do bem comum não só temporal mas sobretudo em vista do fim último do homem, enfim, voltem a defender a política como um serviço do Reino de Cristo, para glória de Deus, salvação das almas e exaltação da Santa Igreja.

A minha esperança não é infundada. Aos vários analistas políticos que já reconhecem a grande tolice da teoria do fim da história (os EUA, após o colapso da União Soviética, implantariam por todas as regiões do globo a democracia liberal secular como regime político definitivo e o capitalismo liberal como único regime econômico), juntam-se as promessas infalíveis de Nossa Senhora: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.

Quem viver vera!

Anápolis, 21 de janeiro de 2014.

Festa de Santa Inês, Virgem e Mártir