Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Entre Brasília e Roma. Entre ministras e diaconisas

Postado em 20-05-2016

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Hoje, vejo-me obrigado a oscilar entre a política e a religião para analisar os sintomas de um mal generalizado pelo mundo. Espero não perder o fio de meada considerando todos os assuntos à luz da fé e da razão.

Apenas começou o seu governo na qualidade de presidente interino da República, Michel Temer foi desancado pela mídia esquerdista que achou um erro imperdoável, uma falta inominável, o seu ministério não ter a presença de nenhuma mulher. Nos mesmos dias noticiou-se que em Roma o papa Francisco acolhia o pedido de um grupo de religiosas que pretendem ser ordenadas diaconisas. O bispo de Roma prometeu-lhes que constituiria uma comissão encarregada de estudar a questão.

Na verdade, essas feministas que querem ser ministras de Estado são umas impostoras. Querem ser ministras para defender o aborto, a ideologia do gênero e todo tipo de perversão que atenta contra a lei de Deus, mas não querem aposentar-se com a mesma idade que os homens, alegando que têm uma jornada dupla de trabalho. Que jornada dupla? Não têm filhos, são abortistas. Acresce que são duplamente culpadas pelo deficit da previdência social, porquanto, além de se aposentarem jovens, são responsáveis pelo envelhecimento da população não gerando filhos em número suficiente para recompor a população e a massa trabalhadora.

As freirinhas modernistas também cometem uma impostura, porque  alimentam a vaidade de poder ostentar o “glorioso” título de diaconisas mas não querem ser madres, isto é, mães, dando à família cristã um grande mau exemplo.

Como se vê, por mais que se fale em separação entre a sociedade política e a sociedade religiosa, os problemas e as questões que se levantam sempre interessam a ambas, têm repercussões comuns. Há uma analogia entre ambas sociedades, que mereceu a atenção de grandes filósofos do passado e mesmo no mundo secularizado de hoje não deve ser descurada.

Essa reivindicação das feministas da sociedade laica moderna e das freiras da nova religião tem as mesmas raízes, as mesmas causas. Em nossos dias o homem perdeu completamente seus diversos vínculos com a sociedade de que é membro e na qual tem suas raízes. A perda desses vínculos e raízes acarretou-lhe a perda da sua personalidade e a sua consequente redução a indivíduo “solto” de uma aldeia global. De maneira que o homem e a mulher hoje já não sabem qual a sua função, o seu comportamento dentro da sociedade, já não sabem compreender-se a si mesmos na formação da própria personalidade,na busca do seu próprio bem e do bem comum da sociedade em que nasceram e cresceram.

A sociedade deixou de ser uma comunidade histórica com valores perenes, reduziu-se a uma arena em que indivíduos incompreensíveis, na farsa da democracia, exercem uma liberdade limitada apenas em virtude de uma lei que seria ela mesma expressão da soberania popular.

Está claro que em tal ambiente não pode haver complementaridade entre homem e mulher. Será um mundo em que os homens e as mulheres estarão condenados a viver sós e infelizes, dominados pelo egoísmo sob o pretexto de realização pessoal. Coisa raríssima hoje é um homem encontrar uma mulher que queira realmente ser sua mulher e comportar-se sempre como tal. É difícil também encontrar uma mulher que queira realmente casar-se conforme a lei de Deus, tamanha a corrupção e a degenerescência das filhas de Eva.

(O meu bom barbeiro criado no belo cerrado goiano, que se abeberou das tradições religiosas do Santuário do Divino Padre Eterno, sabe tudo isso e sofre muito vendo a ruína do Brasil e da família católica, mas nossas lideranças políticas e religiosas e nossos intelectualoides estão cegos.)

Ademais, onde não se concebe um bem comum, onde se concebe apenas o Estado como uma plataforma (para usar a expressão de um dos  ativistas mais fanáticos do laicismo tupiniquim), em que todos os indivíduos possam viver como bem entenderem, a vida humana estará sob a mais grave ameaça. No individualismo desbragado não haverá as condições necessárias para o florescimento da sabedoria e das virtudes sem as quais o homem embrutecerá, ainda que conquiste grandes conhecimentos científicos.

Com efeito, no dizer do referido ativista sr. Celso Laffer, o Estado laico e secular se impõe como uma necessidade para assegurar o mais amplo e irrestrito direito de pesquisa científica que não esteja limitado por nenhum dogma religioso. Quer dizer, em nome de uma pseudociência, ou melhor, em nome de um cientificismo judaico-maçônico-iluminista, o homem tem de ser reduzido a cobaia.

Ora, a vida humana, para quem ainda não tem a sua consciência moral completamente obscurecida pelas trevas da modernidade, é o valor máximo, não pode ser considerada só à luz da ciência, mas também da sabedoria. Ciência sem consciência é a ruína do homem, disse um sábio. Ora, o lugar próprio da sabedoria não é o laboratório de um químico laicista ou de um alquimista teósofo, mas os mosteiros e as boas faculdades de filosofia e teologia.

A ciência sem a sabedoria destrói a vida humana. Não é capaz de desvendar-lhe os mistérios, mas é capaz de profaná-la e promover a eugenia. É capaz de justificar  regimes monstruosos como o comunista e o nazista que eliminavam seus adversários acusando-os inimigos do progresso, da ciência e do avanço da humanidade.

Alguns filósofos modernos, insuspeitos de serem representantes da grande tradição metafísica e escolástica da cristandade, tiveram o mérito de reconhecer os limites da ciência diante das mais altas questões de interesse para a vida do homem. Por exemplo, Karl Jaspers disse: “O conhecimento científico não está em condições de dar nenhuma orientação para a vida. Ele não estabelece valores válidos. A ciência como ciência não pode guiar a vida; por sua clareza e decisão, ela remete a outro fundamento da nossa vida.” (Apud Giovanni Reale, História da Filosofia, v. 3, 1991). Igualmente, Ludwig Wittgenstein disse: “Ainda que todas as possíveis perguntas da ciência recebessem sua resposta, os problemas da nossa vida não seriam sequer arranhados.”(Ibidem)

Por conseguinte, o secularismo, o laicismo são aberrações. São sintomas de uma sociedade gravemente enferma. São sinais claros de uma civilização em agonia. Só não vê isto quem não quer.

É absolutamente necessário que a sociedade política esteja subordinadamente unida à sociedade religiosa como o corpo à alma. São elementos de uma mesma realidade. Separados, morrem.

Para remate, formulo, com fé, meus votos de que Brasília e Roma convalesçam brevemente para o bem das almas.

O povo brasileiro não tem nenhuma saudade da sra. Rousseff e suas graciosas ministras.

Anápolis, 20 de maio de 2016.

Sexta-feira da oitava de Pentecostes.