Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Francisco e a pauta LGBT. É preciso, sim, criticar o papa.

Postado em 21-10-2020

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

A poucos dias das eleições nos Estados Unidos, talvez com a intenção de dar sua contribuição para a vitória dos democratas liberais defensores de toda a agenda LGBT e anti-família, ocorre o lançamento de um documentário sobre as bandeiras globalistas levantadas pelo bispo de Roma Francisco Bergoglio: ecologismo, fim das fronteiras entre as nações, imigração e, é claro, os direitos civis da comunidade LGBT.

Não me surpreende ver Francisco Bergoglio fazendo apologia da família gay, porque, embora seus predecessores imediatos, João Paulo II e Bento XVI,  se tenham oposto à ideia de o Estado garantir uma tutela jurídica à união homossexual, entendo que o bispo de Roma, ao defender os direitos da “família gay”, age de forma coerente com as diretrizes do Vaticano II que, na declaração Dignitatis Humanae, estabelece o estado laico como o regime normal das relações entre a Igreja e o Estado. O Estado confessional, dotado de uma legislação segundo a lei divina e natural e os princípios do Código de Direito Canônico, desde o Vaticano II, deixou de ser o regime ideal, desejado pela Igreja. Ora, o estado laico moderno é, na verdade, um estado ateu, regido pelo direito político moderno que ignora a lei natural e se submete apenas à autoridade emanada da soberania popular. A vontade do homem é a lei, não a vontade de Deus.

Recorde-se, a propósito, que, quando há alguns anos se discutiu a legalização do divórcio, houve bispos católicos que defenderam a sua introdução na legislação civil do país como um direito do cidadão ainda que a Igreja não admitisse a dissolução do vínculo matrimonial. O que quero dizer é que está na lógica da cultura liberal e do individualismo da sociedade moderna permitir todo tipo de comportamento contrário à lei natural, porquanto o que prevalece hoje é a idéia de que o direito é apenas uma conciliação dos arbítrios: se a união civil gay não representa nenhum dano para terceiros seja assegurada pela lei civil como um direito.

De modo que os católicos que realmente se opõem a tamanho atentado contra a lei natural e a lei divina devem convencer-se de que é necessário trabalhar para a restauração do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Combater o divórcio e o casamento gay no Estado laico moderno é uma ilusão que nutriram os modernistas mitigados da democracia cristã à Jacques Maritain: a nova cristandade, o estado vitalmente cristão em lugar do Estado confessional católico. Portanto, não têm razão de queixar-se contra a declaração de Francisco os católicos que aceitam a declaração Dignitatis Humanae do concílio Vaticano II.

O que me causa indignação no documentário sobre o bispo de Roma é ver Francisco fazer pouco caso do drama e do sofrimento de tantas famílias católicas que tentam afastar seus filhos de uma vida de pecado ou se opõem heroicamente aos maus comportamentos de membros de suas famílias, sendo forçadas a afastar de casa seus filhos que trilham o mau caminho, para que não haja o perigo de escândalo. Com sua declaração, Francisco só concorre para que as muralhas protetoras da família católica sejam abatidas, para que que a autoridade paterna seja desprestigiada, para que a anarquia e a imoralidade reinem no seio das nossas famílias.

Para tentar impedir que este veneno vindo do Vaticano chegue a intoxicar mortalmente nossas famílias, é necessário cumprir um dever doloroso: criticar publicamente o papa, sem nenhum escrúpulo de faltar ao respeito devido. É um absurdo e uma ilusão o que alguns católicos ditos conservadores têm dito. Refiro-me à comparação feita por muitos empregando a figura do pai bêbedo. Dizem eles: se você tivesse um pai bêbedo, você, por respeito e recato, não diria em público que seu pai é bêbedo. Pois eu replico a esses católicos conservadores papólatras: se seu pai fosse bêbedo e espancasse publicamente a senhora sua mãe, como vocês agiriam? É preciso defender a mãe, é preciso separá-la do pai bêbedo, violento e agressivo.

Já estou imaginando que muitos católicos conservadores vão querer minimizar o escândalo dado por Francisco, dizendo que não se trata de magistério eclesiástico um documentário sobre o papa ainda que contenha declarações suas. Como bem explicou a exímio teólogo Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, de saudosa memória, trata-se, sim, de magistério, pois este tem um caráter orgânico. O papa não ensina apenas quando assina uma encíclica ou faz um discurso, mas em todos os gestos e exemplos que dá, ensina aos católicos (para o bem ou para o mal).

Por isso recomendo aos pais de família – se seus filhos vierem dizer-lhes, talvez já influenciados pela propaganda LGBT, que o papa defendeu o casamento gay e é preciso combater o preconceito- que lhes respondam que o papa não está acima dos 10 Mandamentos da Lei de Deus, que ele não pode anular o 6º mandamento, e que é um dever do homem esforçar-se por viver a castidade própria do estado civil de cada um e que os homossexuais, se quiserem salvar suas almas, devem evitar a prática do sodomia, rezar, e viver a alegria de uma vida casta e não a insensatez da luxúria. Digam também os pais católicos a seus filhos que, quando um papa não se comporta como tal a Igreja não está nele nem ele está na Igreja, como ensinava o cardeal Journet.

Nossa Senhora Rainha das Vitórias, rogai por nós.

Anápolis, 21 de outubro de 2020.

Festa de Santo Hilarião abade e de Santa Úrsula e suas companheiras mártires.