Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Nota de esclarecimento sobre os fatos de 04 de fevereiro de 2018

Postado em 05-02-2018

Diante dos fatos deploráveis ocorridos na frente da capela Santa Maria das Vitórias, no último domingo dia 4 do corrente mês de fevereiro, antes e após a Santa Missa, cumpre fazer um esclarecimento bem como tecer breves considerações a fim de dissipar qualquer mal-entendido e afastar a maledicência.

O protagonista do espetáculo vexatório é uma pessoa, cuja identidade será preservada, que apareceu em Anápolis há alguns anos atrás. Dizia-se uma pessoa vocacionada ao sacerdócio ou à vida religiosa. Por volta de oito anos atrás, conheci-a rapidamente na capela São José da Boa Morte, quando logo me manifestou seu desejo de seguir a vida religiosa e, verificando que, na minha opinião, não tinha vocação sacerdotal nem religiosa, tratei de dissuadi-la e aconselhei-a a retornar para junto de sua família.

Não obstante meus conselhos, veio à capela Santa Maria das Vitórias, dizendo que passava por sérias dificuldades. Disse-lhe então que fôssemos à rodoviária comprar uma passagem para retornar para sua terra natal. Comprei-lhe o bilhete e dei-lhe algum adjutório para sua viagem. E disse-lhe que não retornasse mais, pois isso não seria prudente e nem desejável.

Passados talvez três anos, a pessoa retornou à capela, e eu então disse-lhe que não podia assumir nenhuma responsabilidade sobre sua vida porque era uma pessoa desobediente. Ficou desaparecida por um bom tempo.

Recentemente, há coisa de dois ou três meses, apareceu de novo na capela pedindo os sacramentos. Evidentemente que não podia expulsá-la sem mais, em tais circunstâncias, de modo que ouviu a Santa Missa sem nenhum tipo de transtorno nesta ocasião. Ocorre que, talvez há um mês, a pessoa assistiu à missa em que pregava sobre tópicos da moral católica e ficou agastada com minha pregação e, terminada a missa, começou a gerar confusão entre os fiéis reunidos no pátio da capela, além de me insultar e manifestar ao sacristão, de forma agressiva, o desejo de falar comigo.

Diante disso orientei os homens da capela para que, caso ela aparecesse novamente, lhe dissessem que não entrasse, afinal de contas, a Capela Santa Maria das Vitórias é um oratório particular, mantido por uma associação privada, no qual se reúnem numerosas famílias, com muitas crianças pequenas e mulheres grávidas, e o tipo de confusão, criada pela pessoa, pode gerar graves e sérias consequências para a saúde das grávidas e bem estar de todos, em geral.

Infelizmente, no último domingo dia 4 do corrente mês, a pessoa apareceu e foi convidada a se retirar, sendo-lhe explicado que a capela era um oratório privado e que, em decorrência da presença de grávidas e crianças menores, não era um local adequado para polêmicas e discussões. Em consequência, começou a proferir os impropérios mais soezes, tudo com o propósito de defender as ideologias da moda em matéria de costumes e atacar a doutrina da Santa Igreja. Para agravar a situação, ela ainda foi insuflada a atacar a Igreja, em geral, e os padres, em particular, especialmente a Igreja tradicional. A confusão ia aumentando, mas, graças a Deus, houve pessoas prudentes e de boa vontade que a afastaram de lá e lhe deram bons conselhos.

Após a missa, porém, a pessoa causadora dos distúrbios retornou, desta vez mais agressiva, dizendo coisas impublicáveis e atirando pedras, acabando, então, por ferir dois senhores já de terceira idade e mais outras duas pessoas que tentaram contê-la, todos os quais, inclusive, já tomaram as medidas legais cabíveis, lavrando boletim de ocorrência e realizando o exame de corpo de delito no qual se atestaram os ferimentos sofridos. O fato é que, além de ferimentos físicos, foi causado um grave mal-estar geral entre os presentes.

Diante disso, cumpre esclarecer e reiterar que a Capela Santa Maria das Vitórias é um oratório católico privado, particular, mantido por uma associação privada. Assim, como espaço privado, o ingresso na capela é perfeitamente possível de ser controlado em vista da maior segurança de todos.

A Capela, desde a sua fundação, sempre foi e continua sendo conhecida, por suas posições ortodoxas no que diz respeito a todos os temas da moral e da doutrina católica e por sua defesa das tradições da Igreja. As pessoas que não concordam com essas posições tem a sua disposição uma miríade colossal de instituições civis e religiosas para frequentar (ou não frequentar nenhuma, caso assim desejem), de modo que não se justifica sob nenhuma hipótese o ingresso em uma capela privada com intuito de criar polêmicas e hostilidades. O Código Penal Brasileiro, inclusive, estabelece, em seu Art. 208, que perturbar cerimônia ou culto religioso é crime, demonstrando assim o quanto esse tipo de conduta é inaceitável.

De todo modo, como medida de segurança e esclarecimento, estuda-se a conveniência de afixar na porta de entrada da capela um aviso: “Oratório privado. Entrada sujeita à autorização”, de modo a deixar mais clara a natureza privada da capela. Estuda-se também a possibilidade de se contratar um segurança particular para as missas e eventos mais concorridos pelo público.

Vivemos dias difíceis. A sociedade e a Igreja estão fragmentadas e as posições ideológicas mais antagônicas se confrontam no mundo “multicultural” de hoje. E como a internet favorece a calúnia e a difamação, melhor esclarecer o quanto antes o ocorrido de modo que a infelicidade dessa pessoa, que Deus sabe que problemas têm, e o transtorno sofrido pelos fieis não se torne algo a ser instrumentalizado em prol de nenhuma doutrina ou ideologia.

 

Padre João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Anápolis, 5 de fevereiro de 2018.

Santa Águeda, Virgem e Mártir