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O “alto clero” na corte da comendadora Dilma

Postado em 10-10-2010

Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Um dos jargões mais batidos da esquerda católica foi sempre acusar a Igreja de antes do VII de ter sido aliada dos poderosos, defensora das classes privilegiadas, distante dos pobres e omissa na luta pela dignidade dos oprimidos. Dizem até que a Igreja demorou a abandonar o discurso legitimista na esperança de um dia ver restaurados os tronos e as cortes européias onde o alto clero vivia, ao lado da nobreza palaciana, de forma parasitária.

Essa é a caricatura que eu mesmo tive várias vezes a oportunidade de ouvir da boca dos demagogos da esquerda festiva ligados à Igreja pós-conciliar. Lembro-me de uma abade premonstratense que teve a petulância de assacar essa acusação contra mons. Lefèbvre, o santo bispo que passou a maior parte da sua vida tão sacrificada como missionário entre os pobres deserdados do continente africano.

Que tenha havido clérigos áulicos, ninguém nega. Que tenha havido homens da Igreja oportunistas e maquiavélicos querendo estar sempre de bem com os poderosos é fato histórico. Mas daí a dizer que essa seja a nota predominante e característica da Igreja de antes do VII vai uma grande diferença.

Quem lê os sermões do padre Vieira, articulador maior da restauração do trono português em 1640 e amigo próximo do rei dom João IV, logo se admira da liberdade e franqueza do notável pregador em denunciar mazelas e injustiças da parte dos grandes. Quem lê os Discursos sobre a História Universal de Bossuet também logo se convence da retidão do célebre prelado do Antigo Regime. Aqui poderíamos multiplicar os exemplos, sem falar da coragem dos papas de antes do Vaticano II em combater o perigo comunista que ameaçava todo Ocidente, sem medo de represália, sem nenhuma tentação de um acordo indigno com o inimigo. Isso só ocorreu durante o malfadado VII.

Mas agora vemos um clero oportunista e velhaco vendendo-se para a Dona Dilma. Ignomínia maior é impossível imaginar. Agora vemos religiosos prepotentes punindo o padre José Augusto, um sacerdote humilde e nobilíssimo, por ter alertado os católicos quanto à gravidade do momento político que vivemos.

Realmente, causa nojo ver o sr. Gabriel Chalita, pseudo-intelectual católico que não passa de um mascate da auto-ajuda pentecostal, defendendo o PT; na verdade, querendo engabelar os pobres carismáticos com a idéia de que é boato o fato incontestável de que o referido partido é anticristão por prever em seu programa a legalização do aborto e da união civil entre homossexuais. E tudo isso sob a égide da cúpula da Canção Nova e da CNBB.

Estou convencido de que a Canção Nova hoje adota os mesmos métodos da Rede Globo e do falecido Roberto Marinho no tempo da ditadura militar.

Esses homens, sim, áulicos e impostores. Meu Deus! Que falta nos faz um Dom Gastão Liberal Pinto! Um prelado digno sob todos os aspectos que por muito menos não se curvou diante do ditador Getúlio Vargas que queria tripudiar sobre a terra dos bandeirantes!

Esses homens, sim, são uns venais, porque, em troca de uns favores do governo Lula, renegam princípios sagrados. Não tolerei ver aquele bispo que, para formular uma pergunta à comendadora Dilma sobre o que previa o seu projeto de governo para as crianças, teceu primeiro rasgados elogios ao governo Lula pelo que teria feito em favor da infância. O governo Lula distribui camisinha nas escolas e esses homens têm coragem de prestigiá-lo!

Como estamos longe do tempo em que um padre do interior de São Paulo recusou-se a receber o imperador Pedro II no átrio da igreja por haver o monarca sido conivente com a injustiça cometida contra Dom Vital e Dom Macedo Costa, os heróicos bispos que combateram a maçonaria. Indagando do motivo da atitude do sacerdote, o imperador admirou-se da sua altivez e dirigiu-se à sacristia para saudá-lo.
Hoje, tudo ao contrário. Salvo raras e honrosas exceções, parece que no Brasil muitos bispos reencarnam aqueles inquisidores que condenaram Joana D’ Arc por estarem vendidos ao inimigo da pátria. Agora estão vendidos para a Venezuela, para Cuba, quem sabe, para as Farcs! Suprema humilhação!

Tudo porque querem ter em Brasília uma corte. Querem ser áulicos da Dona Dilma Rousseff, a quem vão talvez condecorar com a comenda da Ordem de Dom Helder Câmara, o bispo vermelho, se é que não vão obrigar a própria Santa Sé a conferir-lhe uma honraria pontifícia.

Realmente, só falta o circo pegar fogo. Só falta chover enxofre sobre a Sodoma da América do Sul.