Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 ― Se o objeto e a causa do ódio é o mal.

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(Infra, q. 46, a . 2).

O primeiro discute-se assim. ― Parece que o objeto e a causa do ódio não é o mal.

1. ― Pois, todo ente é como tal bom. Se pois o objeto do ódio é o mal, nenhuma coisa pode ser odiada, senão só algum defeito qualquer que tenha. Ora, isto é falso.

2. Demais. ― Odiar o mal é louvável; assim, a Escritura diz em louvor de certos (II Mc 3, 1), que as leis eram exatamente guardadas, por causa da piedade do pontífice Onias e do ódio que ele tinha no coração contra todo mal. Ora, se só o mal é odiado, resulta que todo ódio é louvável, o que é claramente falso.

3. Demais. ― Uma mesma coisa não pode ser simultaneamente boa e má. Ora, o amável para uns é odioso para outros. Logo, há ódio, não só do mal, mas ainda do bem.

Mas, em contrário. ― O ódio é contrário ao amor. Ora, o objeto do amor é o bem, como antes dissemos1. Logo, o objeto do ódio é o mal.

SOLUÇÃO. ― Sendo o apetite natural derivado de uma apreensão, embora não conexa, a mesma natureza tem a inclinação do apetite natural e a do apetite animal, conseqüente à apreensão conexa, conforme já se disse2. Ora, é manifesto, que assim como o amor natural consiste na consonância ou aptidão natural do apetite para o conveniente, assim, o ódio natural consiste na dissonância natural do apetite relativamente ao repugnante e corruptivo. Do mesmo modo o amor do apetite animal ou o do intelectivo é a consonância desse apetite com o apreendido como conveniente; e o ódio é uma certa dissonância do apetite em relação ao apreendido como repugnante e nocivo. Ora, como tudo conveniente tem, como tal, natureza de bem, assim tudo o repugnante o tem como tal natureza de mal. ― E portanto, como o bem é o objeto do amor, o mal o é do ódio.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ― O ser como tal não é por essência repugnante, mas conveniente, porque tudo se lhe reduz a ele. Mas um ente determinado pode ser contrário a outro; e neste ponto de vista, o ser odioso para outro é, para este, mal, não em si, mas relativamente a ele.

RESPOSTA À SEGUNDA. ― Assim como podemos apreender como bem aquilo que não o é verdadeiramente, o mesmo se pode dar com o mal. Por onde, às vezes se dá que não é bem nem o ódio do mal nem o amor do bem.

RESPOSTA À TERCEIRA. ― O amável ao apetite natural de um, por lhe convir à natureza, pode ser odioso para outros, por repugnar em relação a esse mesmo apetite; assim o calor que convém ao fogo, repugna à água. O mesmo se dá com o apetite animal, pois o que um apreende sob a noção de bem, outro apreende sob a de mal.
1. Q. 26, a. 1; q. 27, a. 1.
2. Q. 26, a. 1.