Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 — Se a tristeza impede toda operação.

O terceiro discute-se assim. — Parece que a tristeza não impede toda operação.

1. — Pois, a solicitude é causada pela tristeza, como resulta da autoridade do Apóstolo anteriormente aduzida. Ora, a solicitude ajuda a agir bem, e por isso o Apóstolo diz (2 Tm 2, 15): Cuida muito em te apresentares a Deus digno de aprovação. Logo, a tristeza não impede a operação mas antes a ajuda.

2. Demais — A tristeza produz em muitos a concupiscência, como diz Aristóteles1. Ora, a concupiscência torna mais intensa a operação. Logo, também a tristeza.

3. Demais — Assim como certas operações são próprias dos alegres, assim outras, como chorar, o são dos tristes. Ora, uma atividade aumenta com o que lhe é conveniente. Logo, certas operações não ficam tolhidas mas antes, intensificam-se pela tristeza.

Mas, em contrário, diz o Filósofo, que o prazer aperfeiçoa a operação, e ao contrário a tristeza a tolhe2.

SOLUÇÃO. — Como já dissemos3, a tristeza nem sempre agrava o ânimo ou o consome, a ponto de excluir todo movimento interior e exterior, mas antes, é causa de certos movimentos. Donde o poder a operação relacionar-se duplamente com a tristeza. — De um modo como o objeto desta, e então a tristeza pode tolher qualquer operação; assim, o que fazemos com tristeza nunca o fazemos tão bem como o que fazemos com prazer ou sem tristeza. E a razão é que, sendo a vontade a causa da operação humana, quanto mais o objeto desta nos entristecer, a ação será necessariamente tanto mais fraca. — De outro modo, a operação se relaciona com a tristeza como sendo esta o princípio e a causa. E então, necessariamente, tal operação há-de aumentar com a tristeza; assim, quanto mais nos entristecemos com alguma coisa, tanto mais nos esforçamos para a repelir, enquanto temos a esperança de o conseguir; do contrário, nenhum movimento ou operação seria causado pela tristeza.

Donde se deduzem claras AS RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES.

1. VII Ethic., lect. XIV.
2. X Ethic., lect. VI.
3. Q. 37, a. 2.