Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 – Se o Filho está no Pai e inversamente.

(I Sent., dist. XIX, q. 3, a. 2; IV Cont. Gent., cap. IX; Ioan., cap. X; cap. XVI, lect. VII).

O quinto discute-se assim. – Parece que o Filho não está no Pai e inversamente.

1. – Pois, segundo o Filósofo1, de oito modos pode um ser existir em outro; e por nenhum deles o Filho está no Pai; e inversamente, como claramente o verá quem examinar cada um desses modos. Logo, o Filho não está no Pai, nem inversamente.

2. Demais. – O que saiu de um ser já neste não está. Ora, o Filho abeterno saiu do Pai, segundo a Escritura (Mq 5, 2): Cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade. Logo, o Filho não está no Pai.

3. Demais. – Um dos contrários não está no outro. Ora, o Filho e o Pai opõem-se relati­vamente. Logo, um não pode estar no outro.

Mas, em contrário,a Escritura (Jo 14, 10): Eu estou no Pai e o Pai está em mim.

SOLUÇÃO – Três coisas devemos considerar no Pai e no Filho, a saber: a essência, a rela­ção e a origem. E segundo cada uma delas, o Filho está no Pai e inversamente. – Pela essên­cia o Pai está no Filho, porque o Pai é a sua essência e a comunica ao Filho sem sofrer nenhuma mudança. Donde se segue que, estan­do no Filho a essência do Pai, no Filho está o Pai. Semelhantemente, sendo o Filho a sua essência, segue-se que está no Pai, no qual tam­bém ela está. E é o que diz Hilário: Conse­qüente com a sua natureza, para assim nos exprimirmos, Deus imutável gera um imutável Deus subsistente. E entendemos que neste está a natureza subsistente de Deus, por estar nele Deus2. – Mas, quanto às relações, é claro que um contrário está no outro relativamente, pelo intelecto. – Também quanto à origem, é claro que a processão do verbo inteligível não é exte­rior, mas permanece no dicente. Pois, o que é dito pelo verbo no verbo está contido. – E o mesmo devemos dizer do Espírito Santo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – O modo de ser das criaturas não representa suficientemente o modo de ser de Deus. Por isso, de nenhum dos modos, que o Filósofo enu­mera, o Filho está no Pai e inversamente. O modoporém que mais se aproxima é aquele pelo qual dizemos que um ser está no seu principio originante; salvo que, nos seres criados, falta a unidade de essência entre o princípio e o que dele provém.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O Filho sai do Pai a modo de processão interior, assim como o verbo sai da mente e nela permanece. Por onde, esse modo de proceder, em Deus, funda-se na só distinção das relações, e não em nenhuma sepa­ração essencial.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O Pai e o Filho opõem-se pelas suas relações e não, pela essência. E contudo um dos contrários está relativa­mente no outro, como se disse.
1. IV Physic., c. 3.
2. V de Trin., num. 37, 38.