Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 8 – Se nenhuma Pessoa é enviada senão por aquela da qual procede eternamente.

(I Sent., dist. XV, q. 3; De Pot., q. 10, a. 4, ad 14; Contra errores Graec, cap. XIV).

O oitavo discute-se assim. – Parece que nenhuma Pessoa divina senão por aquela da qual procede eternamente.

1. – Porque, como diz Agostinho, o Pai por ninguém é enviado porque de ninguém pro­cede1. Se pois uma Pessoa divina é enviada por outra, é necessário que dessa proceda.

2. Demais. – O mitente tem autoridade sobre o enviado. Mas, em relação à Pessoa divina, não pode haver autoridade senão pela origem. Logo, é necessário que a Pessoa enviada se origine da que envia.

3. Demais. – Se uma Pessoa divina pode ser enviada por outra, da qual não provém, nada impede dizer que o Espírito Santo é dado pelo homem, embora deste não provenha. O que vai contra Agostinho2. Logo, uma Pessoa divina não é enviada senão por outra, da qual procede.

Mas, em contrário, é que o Filho é enviado pelo Espírito Santo, segundo a Escritura (Is 48, 16): Agora o Senhor Deus me enviou e o seu Espírito. Ora, o Filho não procede do Espírito Santo. Logo, uma Pessoa divina é enviada por outra, da qual não procede.

SOLUÇÃO. – Há várias opiniões sobre esta matéria. Segundo uns, uma Pessoa divina não é enviada senão por outra, da qual procede eternamente. E deste modo, quando se diz, que o Filho de Deus foi enviado pelo Espírito Santo, isto se refere à natureza humana, em dependên­cia da qual foi enviado para pregar. Agostinho, porém, diz que o Filho é enviado tanto por si como pelo Espírito Santo3; e o Espírito Santo também é enviado por si e pelo Filho4; assim, não é a qualquer Pessoa divina que convém ser enviada, mas somente à Pessoa existente por outra; enviar, porém, convém a qualquer Pessoa.

Ora, ambas estas doutrinas encerram de algum modo a verdade. Porque quando se diz, que alguma Pessoa é enviada, com isso tanto se designa a própria Pessoa existente por outra, como o efeito visível ou invisível, no qual se funda a missão da Pessoa divina. Se, pois, o mitente é designado como princípio da Pessoa enviada, então não é qualquer pessoa que envia, mas somente aquela a que é próprio ser o princípio da outra pessoa. E assim, o Filho é enviado somente pelo Pai; o Espírito Santo, porém, pelo Pai e pelo Filho. Mas se a Pessoa mitente for entendida como o princípio do efeito no qual se funda a missão, nesse caso toda a Trindade envia a Pessoa enviada. Mas nem por isso o homem dá o Espírito Santo, pois ele não pode causar o efeito da graça.

Assim ficam claras as RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES.

1. IV de Trin., c. 20.
2. XV de Trin., c. 26.
3. II de Trin., c. 5.
4. De Trin., l. II, c. 5.