Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 — Se a beatitude de Deus inclui todas as outras.

(I Cont. Gent., cap. CII).

O quarto discute-se assim. — Parece que a divina beatitude não inclui todas as outras.

1. — Pois, há beatitudes falsas. Ora, em Deus nada pode ser falso. Logo, a divina bea­titude não inclui todas as outras.

2. Demais. — Para alguns a beatitude con­siste em coisas corpóreas, como os prazeres, as riquezas e coisas semelhantes, que não podem convir a um Deus incorpóreo. Logo, a beatitude de Deus não inclui todas as outras.

Mas, em contrário, a beatitude é uma certa perfeição. Ora, a divina perfeição inclui todas as outras, como dissemos1. Logo, a divina bea­titude inclui todas as outras.

SOLUÇÃO. — Tudo o que em qualquer beati­tude verdadeira ou falsa, é desejável, preexiste na divina, total e eminentemente. Pois, quanto à felicidade contemplativa, Deus tem contínua e certíssima contemplação de si e de todos os demais seres. Quanto à ativa, tem o governo de todo o universo. Quanto à felicidade terre­na, consistente no prazer, nas riquezas, no poder, na dignidade, e na glória, segundo Boécio2, tem o gáudio de si mesmo e de todos os demais seres, em lugar do prazer; em lugar das rique­zas, a omnímoda abastança, que elas prometem; a onipotência, em lugar do poder; a regên­cia de tudo, em lugar da dignidade e, em lugar da glória, a admiração de todas as criaturas.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Falsa, e portanto, inexistente em Deus, é a bea­titude que não tem natureza verdadeira. Mas, o que quer que se assemelhe, tenuemente que seja com a beatitude, preexiste totalmente na divina.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Os bens existentes corporalmente, nos seres corpóreos, existem em Deus ao modo deste, isto é, espiritualmente.

E no atinente à unidade da divina essência, baste o que dissemos até aqui.
1. Q. 4, a. 2.
2. III Consol.