Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 — Se a alma humana separada pode mover os corpos, ao menos localmente.

(De Malo, q. 16, a. 10, ad 2).

O quarto discute-se assim. — Parece que a alma humana separada pode mover os corpos, ao menos localmente.

1. — Pois, o corpo obedece naturalmente à substância espiritual, quanto ao movimento local, como já se disse. Ora, a alma separada é uma substância espiritual. Logo, pode pelo seu império mover os corpos exteriores.

2. Demais. — No Itinerário de Clemente se diz conforme a narração de Nicetas a Pedro, que Simão Mago, com artes mágicas, conservava a alma de um menino, que matara, pela qual fazia operações mágicas. Mas isto não poderia se dar sem alguma transmutação dos corpos, pelo menos local. Logo, a alma separada tem a virtude de mover localmente os corpos.

Mas, em contrário, diz o Filósofo, que a alma não pode mover nenhum outro corpo, a não ser o próprio.

SOLUÇÃO. — A alma separada, por virtude natural sua, não pode mover nenhum corpo. Pois, é manifesto que, estando unida ao corpo, não move senão o corpo vivo; por onde, qual­quer membro morto do corpo não obedece à alma, quanto ao movimento local. Ora, sendo claro que nenhum corpo é vivificado pela alma separada, resulta que nenhum obedece a esta, quanto à virtude da sua natureza, relativa­mente ao movimento local, para o que algo pode lhe ser concedido, pela virtude divina.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Há certas substâncias espirituais, cujas virtudes não são determinadas a nenhum corpo, como os anjos, naturalmente separados de corpos; e por isso muitos corpos podem lhes obedecer ao movi­mento. Porém a virtude motiva de uma substância separada, que for naturalmente determi­nada a mover algum corpo, poderá mover um corpo menor, mas não um maior. Assim, segundo o Filósofo, o motor do céu inferior não pode mover o céu superior. Por onde, a alma, que por natureza está determinada a mover o corpo, do qual é forma, não pode mover nenhum outro, por virtude natural.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Como diz Agosti­nho e Crisóstomo, os demônios simulam freqüentemente que são almas de mortos, para confirmarem o erro dos Gentios, que tal acreditavam. Por onde, é crível que Simão Mago fosse iludido por algum demônio, que simulava ser a alma da criança que aquele matara.