Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 – Se os homens nasceriam com a justiça.

O primeiro discute-se assim. – Parece que os homens não nasceriam com a justiça.

1. Pois, como diz Hugo Vitorino, o primeiro homem, antes do pecado, geraria, certo, filhos sem pecado, mas não herdeiros da justiça paterna.

2. Demais. – A justiça vem da graça, como diz a Escritura. Ora, a graça não se transmite, porque então seria natural; mas é infundida por Deus. Logo, os filhos não nasceriam justificados.

3. Demais. – A justiça está na alma. Ora, esta não é transmitida. Logo, nem o seria aquela, pelos pais aos filhos.

Mas, em contrário, diz Anselmo: aqueles que o homem gerasse seriam, se não pecasse, justos logo que tivessem a alma racional.

SOLUÇÃO. – É natural ao homem gerar o seu especificamente semelhante. Por onde, é necessário se assemelhem os filhos aos pais, por quaisquer acidentes resultantes da natureza específica; a menos que haja erro na operação da natureza, o que, no estado de inocência, não podia dar-se. Porém, pelos acidentes individuais, não é necessário que os filhos se assemelhem aos pais. ora, a justiça original, na qual o primeiro homem foi criado, era um acidente da natureza específica, causado, não por uns como princípios da espécie, mas sendo um como dom divinamente outorgado a toda a natureza. E isto resulta claro de pertencerem os opostos ao mesmo gênero. Ora, sendo o pecado original oposto à sobredita justiça, um pecado da natureza é transmitido pelo pai aos pósteros. E por isso também aos filhos se assemelhariam aos pais, quanto à justiça original.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – As palavras de Hugo devem entender-se não do hábito da justiça, mas da execução do ato.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Certos dizem que os filhos não nasceriam com justiça gratuita, princípio do mérito, mas com a original. Ora, a justiça original, em cuja retidão foi feito o homem, consiste radicalmente na sujeição sobrenatural a Deus e resulta da graça santificante, segundo já se disse antes. Por onde, é forçoso dizer-se que, se os filhos nascessem com justiça original também nasceriam com a graça, assim como já dissemos que o primeiro homem foi criado em graça. Mas, nem por isso a graça seria natural, porque não seria transmitida pela virtude seminal, mas conferida ao homem desde que ele recebesse a alma racional; como também, desde que o corpo é capaz, infunde-lhe Deus a alma racional, que portanto não vem por transmissão.

Donde se deduz clara a RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO.