Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 – Se na Escritura está convenientemente descrita a produção do corpo humano.

O quarto discute–se assim. – Parece que na Escritura está inconvenientemente descrita a produção do corpo humano.

1. – Pois assim como o corpo humano foi feito por Deus, assim também, as outras obras dos seis dias. Mas, nessas outras, se diz: Disse Deus: Faça–se a luz e foi feita a luz. Logo, semelhantemente, também se devia–dizer, da produção do homem.

2. Demais. – O corpo humano foi feito imediatamente por Deus, como antes ficou estabelecido. Logo, está dito inconvenientemente: Façamos o homem.

3. Demais. – A forma do corpo humano é a alma mesma, que é o espiráculo da vida. Portanto, depois de se ter dito: Formou o Senhor Deus ao homem do barro da ferra, acrescentou–se inconvenientemente: E inspirou no seu rosto um sopro de vida.

4. Demais. – A alma, espiráculo da vida, está em todo o corpo e, principalmente, no coração. Logo, não se devia dizer que: E inspirou no seu rosto um sopro de vida.

5. Demais. – Os sexos masculino e feminino são a tributos do corpo; ao passo que a alma é a imagem de Deus. Ora, a alma, segundo Agostinho, foi feita antes do corpo. Logo, depois de se ter dito: Criou Deus o homem à sua imagem, inconvenientemente se acrescentou Macho e fêmea os criou.

Em contrário está a autoridade da Escritura.

RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Como diz Agostinho, o homem tem preeminência sobre os outros seres, porque foi feito à imagem de Deus, e não, porque o próprio Deus tivesse feito só a ele e não aos outros. Pois, está escrito: Os céus são obras das tuas mãos, e: As suas mãos formaram a terra árida. Mas a Escritura usa, na produção do homem, de especial modo de falar, para mostrar que os outros seres foram feitos por causa do homem. Pois, o que queremos principalmente isso costumamos fazer com maior deliberação e esforço.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Não se deve entender que Deus disse aos anjos – Façamos o homem – como alguns perversamente entenderam. Mas essas palavras significam a pluralidade das Pessoas divinas, cuja Imagem se acha mais expressivamente no homem.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Alguns entenderam que o corpo do homem foi, primeiro, formado no tempo e, depois, Deus lhe infundiu a alma nele já formado. – Mas é contra a razão da perfeição da primeira instituição das coisas, que Deus tivesse feito o corpo sem a alma ou esta sem aquele; pois ambos fazem parte da natureza humana. E tal seria ainda mais inconveniente, do corpo, que depende da alma, do que inversamente. – E então, para excluir essa opinião, outros ensinavam que quando se diz: Criou Deus o homem, quer se significar a produção do corpo simultaneamente com a alma; e o que se acrescenta: E inspirou no seu rosto, um sopro de vida, entende–se do Espírito Santo, assim como o Senhor o insuflou nos Apóstolos, conforme o dito: Recebei o Espírito Santo. Mas tal exposição fica excluída, como diz Agostinho, pelas palavras da Escritura. Pois ela ao que antes disse acrescenta: E foi jeito o homem em alma vivente; o que o Apóstolo refere, não à vida espiritual, mas à animal. Logo, por espiráculo da vida entende–se a alma; de modo que quando se diz: Inspirou no sete rosto, um sopro de vida, isso é uma como exposição do que se dissera antes; pois, a alma é a forma do corpo.

RESPOSTA À QUARTA. – As operações da vida manifestam–se sobretudo na face do homem, por meio dos sentidos aí existentes; e por isso a Escritura diz que na face do homem foi inspirado o espiráculo da vida.

RESPOSTA À QUINTA. – Segundo Agostinho, todas as obras dos seis dias foram feitas simultaneamente. Por isso, a alma cio primeiro homem, que considera como produzida simultaneamente com os anjos, não a considera feita antes do sexto dia; mas, nesse mesmo sexto dia, diz que foi feita em ato a alma do primeiro homem, e o corpo do mesmo, pelas razões causais. ­ Porém outros Doutores dizem que tanto a alma como o corpo do homem foram feitos em ato, no sexto dia.