Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a mulher devia ter sido feita do homem.

O segundo discute–se assim. – Parece que a mulher não devia ter sido feita do homem.

1. – Pois, o sexo é comum ao homem e aos brutos. Ora, as fêmeas destes não são feitas dos machos. Logo, nem a do homem deveria tê–lo sido.

2. Demais. Seres da mesma espécie têm a mesma matéria. Ora, o macho e a fêmea são da mesma espécie. Portanto, se o homem foi feito do limo da terra, deste mesmo, e não daquele, devia a mulher ter sido feita.

3. Demais. – A mulher foi feita para adjutório do homem, na geração. Ora, o parentesco muito próximo torna uma pessoa inepta para tal; e por isso os parentes próximos são excluídos do matrimónio, como se vê na Escritura. Logo, a mulher não devia ter sido feita do homem.

Mas, em contrário, diz a Escritura: Criou da sua mesma substância, isto é, ao homem, um ajuda semelhante a ele, a mulher.

SOLUÇÃO. – Foi conveniente na primeira instituição das coisas, a mulher, diferentemente dos brutos, ser formada do varão. – Primeiro, para que, assim, se conferisse a este uma certa dignidade; de modo que, semelhantemente a Deus, também ele fosse o princípio de toda a sua espécie, assim como Deus é o princípio de todo o universo. Por isso a Escritura diz, que De um só Deus fez todo o gênero humano. Segundo, para que o homem amasse mais a mulher e mais inseparavelmente se lhe unisse, quando soubesse que de si mesmo foi ela produzida. – E por isso diz a Escritura: De varão foi tomada: por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, – O que era sumamente necessário, na espécie humana, na qual o homem e a mulher permanecem unidos por toda a vida; o que não se dá com os brutos. – Terceiro, porque, como diz o Filósofo, na espécie humana, o varão e a mulher unem–se, não só pela necessidade da geração, como os brutos, mas também para a vida doméstica, na qual há uns atos próprios ao homem e outros, à mulher, sendo aquele a cabeça desta, Por onde convenientemente, a mulher foi formada do homem, como do seu princípio. A quarta razão, enfim, é sacramental. Pois, com essa formação está figurado que a Igreja tira de Cristo o seu princípio. Por isso diz a Escritura: Este sacramento é grande, mas eu digo em Cristo e na Igreja.

E daqui se deduz a RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Matéria é aquilo de que alguma cousa se faz. Ora, natureza criada tem um determinado princípio; e como é determinada a um termo, também tem um determinado processo; por isso de determinada matéria, produz algo especificamente determinado. Mas, o poder divino, sendo infinito, pode fazer um mesmo ser, especificamente, de qualquer matéria; assim, o homem, do limo da terra, e a mulher, do homem.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Pela geração natural se contrai um certo parentesco, que impede o matrimônio. Ora, a mulher não foi produzida, do homem, por geração natural, mas pela só virtude divina; por isso Eva não é chamada filha de Adão. Portanto, a objeção não colhe.