Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se no primitivo estado nasceriam mulheres.

O segundo discute–se assim. – Parece que no primitivo estado não nasceriam mulheres.

1. – Pois, diz o Filósofo, a fêmea é um macho falho, nascida como que contra a intenção da natureza. Ora, no dito estado, nada seria contra a natureza, na geração do homem. Logo, não nasceriam mulheres.

2. Demais. – Todo gerador gera o semelhante a si, se não for impedido, ou por deficiência da virtude, ou por indisposição da matéria; assim, um fogo pequeno não pode queimar a madeira verde. Ora, na geração, ao homem pertence a virtude ativa. E como, no estado de inocência, não havia no homem nenhuma deficiência de virtude, nem, na mulher, nenhuma indisposição da matéria, resulta que haveriam de nascer sempre homens.

3. Demais. – No estado de inocência a geração era ordenada à multiplicação dos homens. Ora, estes podiam suficientemente multiplicar–se pelo primeiro homem e pela primeira mulher, desde que viveriam perpetuamente. Logo, não era necessário nascessem mulheres, no estado de inocência.

Mas, em contrário, a natureza procederia, na geração, conforme Deus a instituiu. Ora, Deus instituiu o homem e a mulher, em a natureza humana, como diz a Escritura. Logo, mesmo no sobredito estado, haviam de ser gerados homens e mulheres.

SOLUÇÃO. – No estado de inocência, não faltaria nada do que pertence ao complemento da natureza humana. Ora, assim como para a perfeição do universo concorrem os diversos graus dos seres, assim também a diversidade dos sexos concorre para a perfeição da natureza humana. E por isso, no estado de inocência, ambos os sexos seriam produzidos por geração.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A mulher chama–se macho falho por ser contra a intenção da natureza particular; não, porém, contra a da natureza universal, como já se disse antes.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A geração da mulher se dá, não só por deficiência da virtude ativa ou pela indisposição da matéria, como refere a objeção, mas também, às vezes, por algum acidente extrínseco. Assim, como diz o Filósofo, o vento setentrional ajuda a geração dos machos; o austral, porém, a das fêmeas. As vezes também pela concepção da alma, pela qual facilmente é imutado o corpo. E isto podia dar–se precipuamente no estado de inocência. quando o corpo estava melhor sujeito à alma, de modo que, conforme a vontade do gerador, assim se distinguisse o sexo, na prole.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A prole seria gerada, com vida animal, à qual é próprio não só usar de alimento, como também gerar. Por onde, convinha que todos gerassem e não só os primeiros pais; donde resultaria que seriam gerados tanto mulheres quanto homens.