Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 7 – Se a caridade aumenta ao infinito.

O sétimo discute-se assim. – Parece que a caridade não aumenta ao infinito.

1. – Pois, todo movimento tende para um fim ou termo, como diz Aristóteles: Ora, o aumento da caridade é um movimento. Logo, tende para algum fim e termo e, portanto, a caridade não aumenta ao infinito.

2. Demais. – Nenhuma forma excede a capacidade do seu sujeito. Ora, a capacidade da criatura racional, que é o sujeito da caridade, é finita. Logo, a caridade não pode aumentar ao infinito.

3. Demais. – Todo finito pode, por um aumento contínuo, igualar a quantidade de outro infinito, embora maior; salvo, se o que acrescer, pelo aumento, for cada vez menor. Assim, como diz o Filósofo, se se acrescentar a uma linha o subtraído a outra, dividida ao infinito, a adição feita, ao infinito, não atingirá nunca a uma determinada quantidade, composta de duas linhas, a saber – a dividida e aquela à qual se acrescenta o subtraído à outra. Ora, isto não se dá no caso vertente; pois, não é necessariamente o segundo aumento da caridade menor que o primeiro; mas, é mais provável seja igualou maior. Por onde, sendo finita a caridade, na pátria, se a desta vida pudesse aumentar ao infinito, resultaria que esta última poderia igualar-se à da pátria, o que é inadmissível. Logo, a caridade desta vida não pode aumentar ao infinito.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Não que a tenha eu já alcançado, ou que seja já perfeito; mas eu prossigo para ver se de algum modo poderei alcançar. Ao que diz a Glosa: Nenhum fiel, embora muito adiantado em perfeição diga: Basta-me. Pois, quem o disser, sairá do caminho antes do fim. Logo, nesta vida a caridade pode sempre e cada vez mais aumentar.

SOLUÇÃO. – De três modos podemos impor um limite ao aumento de uma forma. Primeiro, relativamente à essência mesma da forma, que tem uma determinada medida, e esta, uma vez atingida, não pode ser ultrapassada; pois, se o for, essa forma se transformará em outra.

Assim, quem, por contínua alteração, ultrapassar os limites da cor amarela, chegará à cor branca ou à preta. De outro modo, relativamente ao agente, cuja virtude não pode aumentar ulteriormente a forma do sujeito. Em terceiro lugar, relativamente ao sujeito, que não é capaz de uma perfeição mais ampla.

Ora, de nenhum destes modos, pode ser imposto um limite ao aumento da caridade, nesta vida. Pois, a caridade, em si mesma, pela sua essência específica, não tem limites no seu aumento; pois, é uma participação da caridade infinita, o Espírito Santo. Semelhantemente, a causa do aumento da caridade, que é Deus, tem infinita virtude. Também relativamente ao sujeito, não se pode estabelecer nenhum termo ao aumento da caridade; pois, sempre, o seu aumento. é acompanhado da capacidade para um aumento ulterior. Donde se conclui, que ao aumento da caridade não se pode fixar nenhum limite, nesta vida.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – O aumento da caridade é em vista de um fim, que não está nesta vida, mas, na futura.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A capacidade da criatura racional aumenta com a caridade, porque esta dilata o coração, conforme a Escritura. O nosso coração se tem dilatado. E, por isso, ainda permanece, ulteriormente, a capacidade para maior aumento.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A objeção colhe em relação às coisas que tem quantidade da mesma natureza, e não, às que a tem de natureza diversa; assim, uma linha, por mais que cresça, não atinge à quantidade da superfície. Ora, a caridade desta vida, que é consequência do conhecimento da fé, não tem quantidade da mesma natureza que a caridade da pátria, resultante da visão clara. Por onde, a objeção não colhe.