Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 11 – Se devemos amar mais a mulher que o pai e a mãe.

O undécimo discute-se assim. – Parece que devemos amar mais a mulher que o pai e a mãe.

1. – Pois, ninguém troca uma coisa senão por outra que mais ama. Ora, a Escritura diz que, por causa da mulher, deixará o homem a seu pai e a sua mãe. Logo, devemos amar mais à mulher que ao pai e à mãe.

2. Demais. – O Apóstolo diz os maridos devem amar às suas mulheres como a si mesmos. Ora, devemos amar a nós mesmos mais que aos pais. Logo, também, mais que aos pais, devemos amar à mulher.

3. Demais. – É maior o amor fundado em várias razões de amar. Ora, a amizade pela mulher se funda em várias razões; pois, como diz o Filósofo, essa amizade é considerada como útil deleitável e virtuosa, se os cônjuges forem virtuosos. Logo, o amor pela mulher deve ser maior que o pelos pais.

Mas, em contrário, o homem deve amar à sua mulher como à sua própria carne. Ora, devemos amar menos o nosso corpo do que o próximo, como já se disse. E dentre os próximos, devemos amar mais os pais. Logo, devemos amá­los mais que à mulher.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos, o grau do amor pode ser considerado relativamente à ideia do bem e à união com o amante. – Assim, quanto à ideia do bem, objeto do amor, devemos amar mais aos pais que à mulher porque são amados pela razão de serem princípio e um bem mais eminente. – Quanto porém, à ideia de união, devemos amar mais à mulher, porque ela se une ao homem de modo a formar com ele uma só carne, conforme aquilo da Escritura. Assim, já não são dous, mas uma sócarne. Por isso, a mulher é amada mais intensamente, mas devemos manifestar maior reverência aos pais.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ­– Não é de todos os modos que deixamos o pai e a mãe por causa da mulher; pois, em certos casos, devemos prestar maior assistência aos pais do que à mulher. Mas, quanto à união da cópula carnal e da coabitação, unimo-nos à mulher, deixando de parte os pais.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Pelas palavras do Apóstolo não devemos entender deva o homem amar a mulher do mesmo modo que a si próprio; mas, que, o amor por nós mesmos é a razão do que temos de amar a mulher que conosco está unida.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Também a amizade paterna se funda em muitas razões de amor. E a certos respeitos, isto é, quanto à ideia do bem, preponderam sobre as razões em que se funda o amor pela mulher; embora estas preponderem quanto à ideia da união.

RESPOSTA À QUARTA. – Também nesse lugar citado não se deve entender o como de modo a implicar igualdade, mas a razão do amor. Pois, o homem ama à sua mulher, principalmente, pela razão da união carnal.