Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 4 – Se a alegria é uma virtude.

O quarto discute-se assim. – Parece que a alegria é uma virtude.

1. – Pois, o vício é contrário à virtude. Ora, a tristeza é considerada um vício, como claramente o mostra a acédia e a inveja. Logo, também a alegria deve ser considerada virtude.

2. Demais. – Como o amor e a esperança são paixões, cujo objeto é o bem; assim também a alegria. Ora, o amor e a esperança são considerados virtudes. Logo, também virtude deve ser considerada a alegria.

3. Demais. – Os preceitos da lei são relativos aos atos das virtudes. Ora, é nos ordenado alegrarmo-nos em Deus, conforme aquilo da Escritura. Alegrai-vos incessantemente no Senhor. Logo, a alegria é uma virtude.

Mas, em contrário, a alegria não está enumerada entre as virtudes teologais, nem entre as morais, nem entre as intelectuais, como do sobre dito se colhe.

SOLUÇÃO. – A virtude, como já dissemos, é um hábito operativo: e portanto tem, por essência, inclinação para o ato. Ora, de um mesmo hábito podem provir vários atos da mesma ordem relacionados e de modo a resultar do outro. E como os atos posteriores não procedem do hábito da virtude senão mediante um ato anterior, daí vem que a virtude não recebe a sua definição nem a sua denominação senão de um ato anterior, embora também outros atos resultem dela. Ora, é manifesto, pelo que já dissemos das paixões que o amor é a primeira afeição da potência apetitiva, da qual resulta também o desejo e a alegria. Por onde, o hábito da virtude que inclina a amar inclina também a desejar o bem amado e a alegrar-se com a posse dele. Mas – como entre esses atos o amor é o primeiro, daí resulta que a virtude não recebe a sua denominação da alegria, nem do desejo, mas, do amor, e se chama caridade. Assim, pois, a alegria não é uma virtude distinta da caridade, mas, um ato ou efeito da caridade. E, por isso, o Apóstolo a enumera entre os frutos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ A tristeza, vício, é causada pelo amor desordenado de nós mesmos, que não é um vício especial, mas uma como raiz geral de todos, segundo já dissemos. Por isso é mister se considerem como vícios especiais, certas tristezas particulares, porque não derivam de nenhum vício especial, mas de um geral. Mas, o amor de Deus é considerado uma virtude especial, à qual se reduz a alegria, conforme dissemos, como ato próprio dela.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A esperança, como a alegria, resulta do amor; mas a esperança acrescenta, pelo seu objeto, a ideia especial – a de um bem árduo, mas possível de ser alcançado; e por isso é considerada uma virtude especial. Ao passo que a alegria concernente ao objeto não acrescenta nenhuma ideia especial, além do amor, que possa causar uma virtude especial.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O preceito da lei sobre a alegria foi dado, considerando-a ato de caridade, embora não seja o primeiro ato desta.