Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 2 – Se devemos beneficiar a todos.

O segundo discute-se assim. – Parece que não devemos beneficiar a todos.

1. – Pois, como diz Agostinho, não podemos ser útil a todos, Ora, a virtude não obriga a impossíveis. Logo, não devemos beneficiar a todos.

2. Demais. – A Escritura diz: Dá ao que é bom e não remedeies o pecador. Ora, muitos homens são pecadores. Logo, não devemos beneficiar a todos.

3. Demais. – A caridade não obra temerária nem precipitadamente, diz o Apóstolo Ora, beneficiar a certos é agir temerária e precipitadamente; tal o caso de quem beneficiasse aos inimigos da república ou a um excomungado, comunicando assim com ele. Logo, sendo bem fazer ato de caridade, a nem todos devemos beneficiar.

Mas, em contrário, o Apóstolo diz: Enquanto temos tempo, façamos bem a todos.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos, a beneficência resulta do amor, quando este move os seres superiores a proverem às necessidades dos inferiores. Ora, os graus entre os homens não são imutáveis, como entre os anjos; por sofrerem aquelas muitas deficiências; por isso quem é superior, a certos respeitos, é ou pode ser inferior, a certos outros. Logo, estendendo-se a todos o amor de caridade, também a todos deve estender-se a beneficência; contudo, de conformidade com o lugar e o tempo. Pois, todos os atos das virtudes devem ser limitados pelas circunstâncias devidas.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ Absolutamente falando, não podemos beneficiar a todos em especial; ninguém há, entretanto, que não lhe possa suceder um caso em que devamos lhe prestar benefício, mesmo em especial. Por onde, a caridade exige que, embora não estejamos a beneficiar a alguém atualmente, estejamos contudo de ânimo preparado a fazê-lo quando a ocasião se apresentar. – Mas já é de certo modo um benefício o podermos beneficiar a todos, se não em especial, ao menos em geral; como quando oramos por todos os fiéis e infiéis.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Duas coisas há no pecador – a culpa e a natureza. Logo, devemos socorrê-lo para sustentar-lhe a natureza; não, para fomentar-lhe a culpa, o que não seria beneficiá-lo, mas antes, fazer-lhe mal.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Aos excomungados e aos inimigos da república devemos privá-los dos nossos benefícios, por assim ficarem impedidos de caírem em culpa. Se porém houvessem necessidade iminente de socorro, para não lhes perecer a natureza, deveríamos socorrê-los, mas de modo devido; por exemplo, para que não morrerem de fome ou sede, ou não virem a sofrer mal semelhante, salvo por exigência da justiça.