Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 4 – Se a beneficência é uma virtude especial.

O quarto discute-se assim. – Parece que a beneficência é uma virtude especial.

1. – Pois, os preceitos se ordenam às virtudes, porque os legisladores visam tornar os homens virtuosos, como diz Aristóteles. Ora, o Evangelho dá um preceito sobre a beneficência e outro sobre o amor; pois, lá diz: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio. Logo, a beneficência é uma virtude distinta da caridade.

2. Demais. – Os vícios se opõem Às virtudes. Ora, à beneficência se opõem certos vícios especiais, causadores de dano ao próximo, como o roubo, o furto e semelhantes. Logo, a beneficência é uma virtude especial.

3. Demais. – A caridade não se divide em muitas espécies. Ora, parece que a beneficência assim se divide, conforme as espécies diversas dos benefícios. Logo, a beneficência é uma virtude diversa da caridade.

Mas, em contrário, o ato interno e o externo não implicam virtudes diversas. Ora, a beneficência e a benevolência não diferem entre si senão como o ato externo, do interno, por ser a beneficência a execução da benevolência. Logo, assim como a benevolência não é virtude diversa da caridade, assim também dela não difere a beneficência.

SOLUÇÃO. – As virtudes se diversificam pela diversa natureza dos seus objetos. Ora, a natureza formal do objeto da caridade e da beneficência é a mesma, pois ambas visam o bem na sua noção geral, como do sobredito resulta. Por onde, a beneficência não é virtude diversa da caridade, mas designa um certo ato desta.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ­– Os preceitos não são estabelecidos para os hábitos das virtudes, mas para os atos deles. Logo, a diversidade dos preceitos não significa hábitos diversos das virtudes, mas atos diversos.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Assim como todos os benefícios feitos ao próximo, considerados sob a noção geral de bem, reduzem-se ao amor, assim também os danos, considerados sob a noção geral de mal, reduzem-se ao ódio. Mas, considerados sob certas noções especiais do bem ou do mal, reduzem-se a certas virtudes ou vícios especiais. E a esta luz também são espécies diversas de benefícios.

Donde se deduz clara a RESPOSTA À TERCEIRA OBJEÇÃO.