Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 1 – Se a rixa é sempre pecado.

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O primeiro discute-se assim. – Parece que a rixa nem sempre é pecado.

1. – Pois, parece que a rixa é uma espécie de contenção, segundo Isidoro, que diz: o nome de rixoso vem de rito canino porque esta sempre pronto a contradizer, compraz-se em discussões e provoca o adversário. Ora, a contenção nem sempre é pecado. Logo, nem a rixa.

2. Demais. – A Escritura diz que os escravos de Isaac cavaram outro poço e por causa dele rixaram. Ora, não se deve crer, que a família de Isaac rixasse publicamente, sem que ele lhe impedisse, se tal fosse pecado. Logo, a rixa não é pecado.

3. Demais. – Parece que espécie de guerra particular. Ora a guerra nem sempre é pecado. Logo, nem sempre é pecado a rixa.

Mas, em contrário, o Apóstolo coloca a rixa entre as obras da carne, dizendo: os que tais coisas cometem não possuirão o reino de Deus. Logo, as rixas não somente são pecados, mas ainda pecados mortais.

SOLUÇÃO. – Assim como a contenção implica uma certa contradição de palavras, assim a rixa uma certa contradição nos atos. Por isso, às palavras do Apóstolo diz a Glosa, que as rixas consistem em nos batermos uns aos outros, por ira. Por onde, a rixa é considerada uma guerra particular feita entre pessoas particulares, não em virtude de qualquer autoridade pública, mas antes, por vontade desordenada. Portanto, a rixa sempre implica pecado. E aquele que ataca a outrem injustamente comete pecado mortal, pois, causar dano ao próximo, pondo as mãos nele, não vai sem pecado mortal. Pode não cometer pecado, porém, aquele que se defende; outras vezes, cometerá pecado venial; outras, mortal, conforme os diversos movimentos da sua alma e os modos diversos de defender-se. Assim, defendendo-se só com o ânimo de repelir a injúria assacada e com a devida moderação, não comete pecado, nem se pode propriamente dizer que há, por sua parte, rixa. Se, porém, defender-se com ânimo de vingança ou de ódio, ou ultrapassando a moderação devida, sempre haverá pecado; mas venial, quando vai mesclado com algum leve movimento de ódio ou de vindicta, ou quando não ultrapassa muito a defesa moderada. Haverá pecado mortal quando ataca o seu adversário com a firme intenção de matá-lo ou feri-lo gravemente.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ A rixa não designa simplesmente a contenção; mas as palavras referidas de Isidoro abrangem três elementos, que explicam o desordenado da rixa. O primeiro é que o rixoso está sempre de ânimo pronto a contender; e isso é expresso pelas palavras – sempre pronto a contradizer, quer o adversário diga ou proceda bem ou mal. O segundo é que se deleita com a contradição mesma; por isso acrescenta: compraz-se em discussões. O terceiro é que provoca os outros à contradição; por isso continua: e provoca o adversário.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Pejo lugar aduzido não se entende que os escravos de Isaac rixararn: mas que os habitantes da terra rixaram contra eles, Por isso, estes pecaram, mas não, os escravos de Isaac, que sofriam a calúnia.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Para a guerra ser justa, é exigido que se faça por autoridade do poder público, como dissemos. Ora, a rixa é provocada pelo afeto privado da ira ou do ódio. Assim, os ministros do príncipe ou do juiz que atacarem a certos, por autoridade do poder público, e esses se defenderem, não se consideram aqueles como rixosos, mas estes últimos, que resistem ao poder público. Por onde, os que atacam não rixam nem pecam, senão aqueles que se defendem desordenadamente.