Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 3 – Se bastam dois preceitos sobre a caridade.

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O terceiro discute-se assim. – Parece que não bastam dois preceitos sobre a caridade.

1. – Pois, os preceitos são dados sobre os atos das virtudes. Ora, os atos distinguem-se pelos seus objetos, E como o homem deve aplicar a sua caridade a quatro objetos, a saber, a Deus, a si próprio, ao próximo e ao seu próprio corpo, como do sobredito resulta parece que quatro devem ser os preceitos da caridade. E assim, dois não bastam.

2. Demais. – Ato de caridade não é só o amor, mas também, a alegria, a paz, a beneficência. Ora, preceitos devem ser dados sobre os atos das virtudes. Logo, dois preceitos sobre a caridade não bastam.

3. Demais. – Assim como é próprio da virtude fazer o bem, assim também o é evitar o mal. Ora, a fazer o bem somos induzidos por preceitos afirmativos; e a evitar o mal, por preceitos negativos. Logo, deviam estabelecer­se sobre a caridade preceitos, não somente afirmativos, mas também negativos. E assim, os dois referidos preceitos sobre a caridade não bastam.

Mas, em contrário, diz o Senhor. Destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas.

SOLUÇÃO. – A caridade como já dissemos, uma espécie de amizade. Ora, a nossa amizade é relativa a outrem; por isso, diz Gregório: Não é possível haver caridade entre menos de duas pessoas. E como nós nos amamos a nós mesmos com caridade, Já o dissemos. Ora, tendo a dileção e o amor por objeto o bem, e este sendo relativo ao fim ou aos meios, são convenientes e bastantes dois preceitos sobre a caridade; um que nos leva a amar a Deus como fim; outro, ao próximo, por causa de Deus, com por causa do fim.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ Como diz Agostinho devendo ser quatro objetos amados com caridade, do segundo e do quarto, isto é, do amor de nós mesmos e do nosso próprio corpo, não deviam ser estabelecidos nenhuns preceitos. Pois, por mais que o homem se afaste da verdade, conserva sempre o amor de si e o do seu próprio corpo. Mas deve ser-lhe um objeto de preceito o modo de amar; isto é, que se ame ordenadamente a si e ao seu próprio corpo. O que se realiza amando ele, a Deus e ao próximo.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Os outros atos de caridade resultam do ato do amor como o efeito, da causa, conforme do sobredito resulta. Por onde, os preceitos do amor incluem virtualmente os relativos aos outros atos. E contudo, por causa dos de espírito tardonho, encontramos na Escritura preceitos estabelecidos explicitamente sobre cada um desses atos. – Assim, sobre a alegria: Alegrai-vos incessantemente no Senhor. – Sobre a paz: Segui a paz com todos. – Sobre a beneficência: Enquanto temos tempo, façamos bem a todos. – Também encontramos nela preceitos estabelecidos sobre cada uma das partes da beneficência, como ficará claro a quem nela atentar diligentemente.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Vale mais praticar o bem que evitar o mal. Por onde, os preceitos afirmativos incluem virtualmente os negativos. E contudo encontramos na Escritura preceitos estabelecidos explicitamente contra os vícios opostos à caridade. – Assim, contra o ódio: Não aborrecerás a teu irmão no teu coração. ­ Contra a acédia: Não te enojes com as suas prisões. – Contra a inveja: Não nos façamos cobiçosos da vanglória. – Contra a discórdia: Todos digais uma mesma coisa e que não haja entre vós cismas, – Contra o escândalo enfim: Não ponhais tropeço ou escândalo ao vosso irmão.