Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 2 – Se a blasfêmia é sempre pecado mortal.

O segundo discute-se assim. – Parece que a blasfêmia nem sempre é pecado mortal.

1 – Pois, aquilo do Apóstolo – Mas agora deixai também vós todas estas coisas, etc. – diz a Glosa: depois das coisas maiores proíbe as menores; e nestas inclui as blasfêmias. Logo, a blasfêmia é considerada entre os pecados menores, que são veniais.

2. Demais. – Todo pecado mortal se opõe a algum preceito do Decálogo. Ora, a blasfêmia não se opõe a nenhum deles. Logo, não é pecado mortal.

3. Demais. – Não são pecados mortais os cometidos sem deliberação; por isso os movimentos subitamente primários da nossa vontade não são pecados mortais, precederem o movimento da razão, como do sobredito claramente resulta. Ora, a blasfêmia às vezes precede toda deliberação. Logo, nem sempre é pecado mortal.

Mas, em contrário, a Escritura: O que blasfemar o nome do Senhor morra de morte. Ora, a pena de morte não é imposta senão ao pecado mortal. Logo, pecado mortal é a blasfêmia.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos pelo pecado mortal o homem separa-se do princípio primeiro da vida espiritual, que é a caridade para com Deus. Por onde, tudo o que contraria a caridade ê genericamente pecado mortal. Ora, a blasfêmia contraria genericamente a caridade para com Deus, por lhe causar detrimento à bondade, como já dissemos, que é o objeto da caridade. Logo, a blasfêmia é genericamente pecado mortal.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ Não se deve entender a Glosa citada, como considerando pecados menores tudo o mais quanto acrescenta ao que antes disse; mas que, não tendo enumerado antes senão os pecados maiores, acrescenta depois alguns menores, entre os quais enumera também alguns dentre os maiores.

RESPOSTA A SEGUNDA. – Opondo-se a blasfêmia à confissão da fé, como já se disse a sua proibição reduz-se à da infidelidade, compreendida no dito da Escritura: Eu sou o Senhor teu Deus, etc. Ou está proibida por aquele outro lugar: Não tomarás em vão o nome de teu Deus. Ora, mais toma em vão o nome de Deus quem dele afirma uma falsidade, que quem confirma qualquer falsidade invocando esse nome.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A blasfêmia pode, sem deliberação, surgir subrepticiamente, de dois modos. – De um modo, quando não advertimos ser blasfêmia o que dizemos. E isso pode se dar quando, subitamente, levados da paixão prorrompemos nas palavras imaginadas, em cuja significação não refletimos. E então é a blasfêmia pecado venial e não é essencial e propriamente blasfêmia. – De outro modo, quando advertimos na blasfêmia , considerando-lhe os significados das palavras. E então não ficamos isentos de pecado mortal, como não o fica quem mata levado por um movimento súbito de ira, alguém que lhe está sentado ao lado.