Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 1 – Se a cegueira da mente é pecado.

O primeiro discute-se assim. – Parece que a cegueira da mente não é pecado.

1 – Pois, o que escusa o pecado não pode ser pecado. Ora, a cegueira da mente o escusa, segundo a Escritura. Se vós fôsseis cegos, não teríeis culpa. Logo, a cegueira da mente não é pecado.

2. Demais. – A pena difere da culpa. Ora, a cegueira da mente é uma pena, como claramente o diz a Escritura: Obseca o coração deste povo. Pois, sendo um mal e provindo de Deus, não pode ser senão pena. Logo, a cegueira da mente não é pecado.

3. Demais. – Todo pecado é voluntário, como diz Agostinho. Ora, a cegueira da mente não é voluntária, porque, no dizer do mesmo todos gostam de conhecer a verdade luminosa; o que está concorde com a Escritura. A luz é doce e é coisa deleitável aos olhos ao ver o sol. Logo, a cegueira da mente não é pecado.

Mas, em contrário, Gregório a cegueira da mente é considerada um dos vícios causados pela luxúria.

SOLUÇÃO. – Assim como a cegueira corporal é privação do princípio da visão corpórea, assim também a da mente é a privação do princípio da visão mental ou intelectual. – Ora, este princípio é tríplice. – Um é o lume da razão natural, o qual, pertencendo à natureza específica da alma racional, esta nunca fica privada dele. Pode porém às vezes ficar-lhe impedido o ato próprio pelas potências inferiores, de que o intelecto humano precisa para inteligir, como bem o mostram os dementes e os furiosos, segundo foi dito na Primeira Parte. ­ Outro princípio da visão intelectual é um certo lume habitual acrescentado ao lume natural da razão. E desse a alma pode ficar às vezes privada, e isso constitui a cegueira, que é uma pena, pois considera-se pena a privação do lume da graça. Por isso, de certos diz a Escritura: A sua malicia os cegou. – O terceiro princípio da visão intelectual é um princípio inteligível, por meio do qual o homem intelige os objetos. Ora, esse princípio inteligível a mente humana pode levar em conta ou não. Neste último caso, por dois motivos. Ou por a vontade espontaneamente se desviar da consideração desse princípio, conforme aquilo da Escritura. Não quis instruir-se para fazer o bem. Ou por ocupar-se a mente com coisas que, sendo mais amadas a desviam da contemplação de tal princípio segundo aquilo da Escritura. Caiu jogo de cima, isto é, o da concupiscência, e não viram o sol. Ora, de um e de outro modo a cegueira da mente é pecado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ A cegueira que escusa o pecado é a proveniente do defeito natural de não poder ver.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A objeção colhe quanto à cegueira como pena.

RESPOSTA À TERCEIRA – Inteligir a verdade é, em si mesmo, agradável a todos. Pode porém, acidentalmente, ser odioso a alguém, quando é impedimento do que é mais amado.