Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 1 – Se a confissão é um ato de fé.

O primeiro discute-se assim. – Parece que não é a confissão um ato de fé.

1. – Pois, um mesmo ato não pode pertencer a virtudes diversas. Ora, a confissão depende da penitência, de que é parte. Logo não é ato de fé.

2. Demais. – O temor e também a confusão retraem às vezes o homem de confessar a fé. Por isso, o Apóstolo pede que orem por ele para que lhe seja dado com confiança fazer conhecer o mistério do Evangelho. Ora, não afastar-se do bem, por confusão ou temor, procede da fortaleza, que modera a audácia e o temor. Logo, parece que não é a confissão um ato de fé, mas antes, de fortaleza ou constância.

3. Demais. – Assim como o fervor da fé nos leva a confessá-la exteriormente, assim também a praticar outras obras externas; pois, diz o Apóstolo, a fé obra pela caridade. Ora, há outras obras externas, que não são consideradas atos de fé. Logo, também não a confissão.

Mas, em contrário, sobre aquilo da Escritura – e a obra de fé pelo seu poder – diz a Glosa: Isto é, a confissão, que é propriamente obra de fé.

SOLUÇÃO. – Os atos exteriores são propriamente atos da virtude a cujo fim especificamente se referem. Assim, jejuar entra especificamente no fim da abstinência, consistente em reprimir a carne; portanto, é ato de abstinência. Ora, a confissão das verdades da fé se ordena, especificamente, como ao fim, ao que à fé pertence, conforme aquilo da Escritura: Nós cremos lendo um mesmo espírito de fé, e por isto é que falei. Ora, a palavra exterior se ordena a significar o que concebemos na mente. Por onde, assim como o conceito interior das coisas da fé é propriamente ato de fé, assim também o é a confissão exterior.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ A Escritura louva três espécies de confissão. ­ Uma, as das verdades da fé; e essa constitui propriamente o ato de fé, como referente ao fim da mesma, segundo se disse. – Outra é a confissão de ação de graças ou de louvor. E esta constitui o ato de latria; pois se ordena à honra de Deus, a quem se deve atribuir exteriormente, o que constitui o fim da latria. – A terceira é a confissão dos pecados. E esta se ordena a deli-los, o que constitui o fim da penitência, à qual portanto, pertence.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O que remove o obstáculo não é causa essencial, mas acidentalmente falando, como está claro no Filósofo. Por onde, a fortaleza, que remove o obstáculo à confissão da fé, isto é, o temor ou a vergonha, não é causa própria e essencial da confissão, mas acidental.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A fé interna, mediante o amor, causa todos os atos virtuosos exteriores, mediante todas as outras virtudes, imperadas e não elícitas. Mas produz a confissão como ato próprio, sem mediação de nenhuma outra virtude.