Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 6 – Se é a fé uma só.

O sexto discute-se assim. – Parece que não é uma só a fé.

1. –Pois, assim como é a fé um dom de Deus, conforme diz o Apóstolo, assim também a sabedoria e a ciência são enumeradas entre os dons de Deus, consoante à Escritura. Ora, a sabedoria e a ciência diferem, por versar aquela sobre o eterno e esta, sobre o temporal, como está claro em Agostinho. Ora; versando a fé sobre o eterno e também sobre certas coisas temporais, resulta que a fé não é uma só, mas consta de partes.

2. Demais. –A confissão é um ato de fé, como já se disse. Ora, nem todos confessam uma mesma fé; assim, o que nós confessamos como realizado, os antigos padres confessavam como futuro, conforme está claro nas Escrituras: Eis que uma virgem conceberá. Logo, não é só uma a fé.

3. Demais. –É a fé comum a todos os fiéis de Cristo. Ora, um mesmo acidente não pode existir em diversos sujeitos. Logo, nem todos podem ter a mesma fé.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Um Senhor, uma fé.

SOLUÇÃO. – Considerada como hábito, a fé pode ser tomada em dupla acepção. Primeiro, em relação ao objeto, havendo então uma só fé. Pois, é o objeto formal da fé a verdade primeira, aderindo à qual cremos tudo o que a fé contém. Noutra acepção, relativamente ao sujeito; e então a fé se diversifica com a diversidade dos sujeitos. Ora, é manifesto, que a fé, como qualquer outro hábito, se especifica pela razão formal do objeto, mas se individua pelo sujeito. Portanto, considerada como hábito, pelo qual cremos, é especificamente una e numericamente, diferente, nos diversos sujeitos. – Considerada porém como aquilo em que cremos, embora diversas as suas verdades, acreditadas comumente por todos, contudo todas se reduzem a uma só.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – O que a fé propõe de temporal não lhes pertence ao objeto, senão ordenadamente a algo de eterno, que é a verdade primeira, como já se disse. Logo, a mesma fé se refere ao temporal e ao eterno, ao contrário do que se dá com a sabedoria e a ciência, que consideram o temporal e o eterno conforme a essência própria de um e outro.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A diferença assinalada entre o pretérito e o futuro não provém de qualquer diversidade existente no objeto da fé, mas nas relações diversas dos crentes para com a mesma verdade crida como também já se estabeleceu.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A objeção colhe quanto à diversidade numérica da fé.