Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 2 – Se a purificação do coração é efeito da fé.

O segundo discute-se assim. – Parece que a purificação do coração não é efeito da fé.

1. – Pois, a pureza do coração reside precipuamente no afeto. Ora, a fé reside na inteligência. Logo, não causa a purificação do coração.

2. Demais. – Não pode a causa da purificação do coração coexistir com a impureza. Ora, a fé pode coexistir com a impureza do pecado, como o demonstram os que têm a fé informe. Logo, a fé não purifica o coração.

3. Demais. – Se a fé purificasse de algum modo, o coração humano, purificar-nos-ia sobretudo a inteligência. Ora, sendo um conhecimento enigmático, não pode, com a sua obscuridade, purificar o intelecto. Logo, a fé de nenhum modo purifica o coração.

Mas, em contrário, diz a Escritura. Purificando com a fé os seus corações.

SOLUÇÃO. – A impureza de qualquer ser está em mesclar-se com o que lhe é inferior. Assim, não se diz que a prata fica impura por misturar-se com o ouro, que a torna melhor, mas, quando se mistura com o chumbo ou o estanho. Ora, é manifesto, que a criatura racional é mais digna que todas as criaturas temporais e corpóreas. Por isso, torna-se impura quando se une, pelo amor, ao que é temporal. E dessa impureza se purifica pelo movimento contrário, tendendo para Deus, que lhe é superior. Ora, desse movimento o princípio primeiro é a fé, conforme a Escritura: é necessário que o que se chega a Deus; creia logo, o primeiro princípio da purificação do coração é a fé que, quando aperfeiçoada pela caridade informada, causa a purificação perfeita.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ O que pertence ao intelecto é princípio do que pertence ao afeto, por mover a este o bem do intelecto.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A fé, ainda a informe, exclui a impureza do erro, que lhe é oposta. E esta consiste em o intelecto humano unir-se desordenadamente ao que lhe é inferior, querendo medir o divino pelas essências das coisas sensíveis. Mas, quando informado pela caridade, não se compadece com nenhuma impureza, porque, no dizer da Escritura, a caridade cobre todos os delitos.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A obscuridade da fé não depende da impureza da culpa, mas antes, da deficiência natural ao intelecto humano, no estado da vida presente.