Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 – Se a coragem deve arrostar só o perigo da morte.

O quarto discute–se assim. – Parece que a coragem não deve arrostar só o perigo da morte.

1. – Pois, diz Agostinho, que a coragem é o amor que facilmente tolera tudo por causa do bem amado. E, noutro lugar; é a afeição que não teme nenhumas adversidades nem a morte. Logo, a coragem não deve arrostar só o perigo da morte, mas também outras adversidades.

2. Demais. – Todas as paixões da alma devem ser reduzidas por alguma virtude à mediedade. Ora, não há outras virtudes que reduzam os outros. temores à mediedade. Logo, a coragem não deve arrostar só o temor da morte, mas também os outros temores.

3. Demais. – Nenhuma virtude tem por objeto o que é extremo. Ora, o temor da morte é um extremo porque é o máximo dos temores, como diz Aristóteles. Logo, a virtude da coragem não deve arrostar o temor da morte.

Mas, em contrário, Andronico diz que a coragem é uma virtude irascível que não se deixa facilmente vencer por temores mortais.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, é próprio da virtude da coragem fortificar–nos a vontade para não abandonarmos o bem da razão por temor de um mal do corpo. Pois, devemos firmemente manter o bem racional contra qualquer mal; porque nenhum bem corpóreo equivale ao bem da razão. Por onde e necessariamente coragem da alma se considera a que nos mantém a vontade firme no bem racional e resistente aos máximos males; porque quem tem firmeza contra os maiores males há de tê–la, por consequência, contra os menores; mas não inversamente. E também é próprio da virtude, assim, tomar em consideração o que é extremo. Ora, de todos os males do corpo, o mais terrível é a morte, que destrói todos os bens corporais. Por isso, Agostinho diz, que os vínculos do corpo comovem a nossa alma, pelo temor dos trabalhos e da dor, afim de que não sejam feridos nem ofendidos; e pelo terror da morte, para que eles se não rompam e dissolvam. Logo, a virtude da coragem tem por objeto arrostar o temor que causam os perigos mortais.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A coragem sabe como tolerar rodas as adversidades. Nem por isso se reputa corajoso um homem só por tolerar quaisquer adversidades; mas, só o que sabe tolerar mesmo os males máximos. Pois, nos outros casos ele será corajoso relativamente.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O temor nasce do amor; portanto, qualquer virtude que modere o amor de certos bens há de também por força moderar o temor dos males contrários. Assim, a liberalidade, que modera o amor do dinheiro, consequentemente também modera o temor de perdê–los; e o mesmo se dá com a temperança e as outras virtudes. Ora, amar a nossa própria vida nos é natural. Donde a necessidade de uma virtude especial, moderadora do temor da morte.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O extremo, nas virtudes, consiste em nos afastarmos da retitude da razão. Portanto, sofrermos os maiores perigos, por exigência da razão, não é contrário à virtude.