Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 7 – Se a segurança faz parte da magnanimidade.

O sétimo discute–se assim. – Parece que a segurança não faz parte da magnanimidade.

1. – Pois, a segurança, como se disse, importa na isenção da perturbação do temor. Ora, esse é sobretudo o efeito da coragem. Logo, parece que a segurança é o mesmo que a coragem. Ora, longe de fazer esta parte da magnanimidade, é o contrário, que se dá. Logo, também não pertence a segurança à magnanimidade.

2. Demais. – Isidoro diz: seguro (securus) é por assim dizer o que não cura (sine cura). Ora, isto parece contrariar à ideia de virtude, que cura das coisas honestas, segundo o Apóstolo: Cuida muito em te apresentares a Deus digno de aprovação. Logo, a segurança não faz parte da magnanimidade, que pratica as grandes obras de toas as virtudes.

3. Demais. – A virtude não se confunde com o seu prémio. Ora, a Escritura considera a segurança como prêmio da virtude: Se lançares fora de ti a iniquidade, que está na tua mão, enterrado. dormirás seguro. Logo, a segurança não faz parte da magnanimidade nem de nenhuma outra virtude.

Mas, em contrário, diz Tulio, que é próprio da magnanimidade não sucumbir nem à perturbação da alma, nem aos ataques dos homens ou da fortuna. Ora, nisto consiste a segurança. Logo, ela pertence à magnanimidade.

SOLUÇÃO. – Como diz o Filósofo, o temor torna os homens consiliativos, fazendo–os descobrir os meios de escaparem ao que temem. Ora, a segurança é assim chamada porque nos livra desses cuidados, que o temor suscita em nós. Por onde, a segurança implica uma certa e perfeita tranquilidade de alma, isenta de temor, assim como a confiança implica uma certa firmeza da esperança. Ora, assim como a esperança diretamente se inclui na magnanimidade, assim, o temor diretamente se incorpora na coragem. E portanto, assim como a confiança imediatamente pertence à magnanimidade. Assim, a segurança se inclui imediatamente na coragem. – Mas, devemos considerar que, assim como a esperança é a causa da audácia, assim, o temor o é do desespero, conforme estabelecemos quando tratámos das paixões. E portanto, assim .como consequentemente a confiança pertence à coragem, por se socorrer da audácia, assim também a segurança., consequentemente, faz parte da magnanimidade, porque exclui o desespero.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – A coragem não é principalmente louvada por não temer – o que é próprio da segurança; mas, por importar uma certa firmeza, no tocante às paixões. Por onde, a segurança não é o mesmo que a coragem, mas é uma condição dela.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Nem toda segurança é louvável; mas aquela que nos faz isentos de cuidados, quando o devemos e nos casos em que não devemos temer. E, deste modo, é condição da coragem e da magnanimidade.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Nas virtudes existe uma certa semelhança e participação da futura felicidade, como se estabeleceu. Por onde, nada impede seja uma certa segurança a condição de uma virtude, embora a segurança perfeita constitua o prêmio da virtude.