Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 – Se se consideram com conveniência era filhas da vanglória: a desobediência, a jactância, a hipocrisia, a contenção, a pertinácia, a discórdia e o espírito de novidade.

O quinto discute–se assim. – Parece inconveniente dizer que são filhas da vanglória : a desobediência, a jactância, a hipocrisia, a contenção, a pertinácia, a discórdia e o espírito de novidade.

1. – Pois, a jactância, segundo Gregório, é considerada uma espécie de soberba. Ora, a soberba não nasce da vanglória, mas, ao contrário, como diz Gregório. Logo, a jactância não deve ser considerada filha da vangloria.

2. Demais. – Parece que as contenções e as discórdias nascem sobretudo, da ira. Ora, a ira é um pecado capital pertencente à mesma divisão da vanglória. Logo, não é filha da vanglória.

3. Demais. – Crisóstomo diz, que em toda parte a vanglória, é um mal, mas sobretudo em se tratando da filantropia, isto é, da misericórdia: que, contudo não é nenhuma novidade mas se funda no costume humano. Logo, o espírito de novidade não deve ser especialmente considerada filha da vanglória.

Mas, em contrário, a autoridade de Gregório, quando enumera as referidas filhas da Vanglória.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, chamam–se filhos de um pecado capital os que naturalmente para ele se ordenam. Ora, o fim da vanglória é a manifestação da nossa própria excelência, como do sobredito se colhe. O que podemos conseguir de dois modos. Primeiro, diretamente: quer por palavras, no caso da jactância. Quer por atos, os quais, se forem verdadeiros e despertarem nos outros uma certa admiração, dão lugar ao espírito de novidade, a qual os homens sobretudo, costumam admirar; e, se forem falsos, dão lugar à hipocrisia. De outro modo, visamos manifestar a nossa excelência indiretamente, mostrando que não somos inferior a outrem. E isto de quatro maneiras. Primeiro, quanto à inteligência, no caso da pertinácia, que faz nos apegarmos demasiado à nossa opinião, não querendo aderir a uma opinião melhor. Segundo, quanto à vontade, no caso da discórdia, não querendo abandonar a nossa vontade própria para concordarmos com os outros. Terceiro, por palavras, no caso da contenção, quando alguém litiga, clamando, contra outrem. Quarto, quanto às obras, e tal é a desobediência, quando não queremos cumprir a ordem do superior.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ Como dissemos, a jactância é considerada uma espécie da soberba, quanto à sua causa interior, que é arrogância. Quanto à jactância exterior, ela às vezes se ordena como diz Aristóteles, ao ganho; mas, mais frequentemente, à glória e às honras e então nasce da vanglória.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A ira não causa a discórdia e a contenção, senão quando acompanhada da vanglória, no caso de considerarmos glorioso para nós não cedermos à vontade nem às palavras dos outros.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A vanglória é repreensível, no caso da esmola desacompanhada da caridade, que manifesta que se prefere a vanglória à utilidade do próximo, pois, busca–se a esta por causa daquela. Mas não é censurável quem presume, fazendo esmola, praticar um ato inédito.