Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se à parcimónia se opõe algum vício.

O segundo discute–se assim. Parece que nenhum vício se opõe à parcimónia.

1. – Pois, ao pequeno se Ora, a magnificência não é um virtude. Logo, à parcimónia nenhum vício.

2. Demais. – Sendo a parcimónia um vício, por defeito, como se disse, parece que, se houvesse algum vício a ela oposto, seria o consistente só em consumir com superabundância. Ora, os que consomem muito quando deveriam consumir pouco consomem pouco quando deveriam consumir muito, diz Aristóteles, e portanto praticam de certo modo a parcimónia. Logo, não há nenhum vício oposto à parcimónia.

3. Demais. – Os atos morais se especificam pelo fim, como se disse. Ora, os que consomem superfluamente, o fazem para ostentar as suas riquezas, como diz Aristóteles. Ora, isto é própria da vanglória, que se opõe à magnanimidade, como se disse. Logo, nenhum vício se opõe à parcimônia,

Mas, em contrário, a autoridade do Filósofo, que considera a magnificência como uma mediedade entre dois vícios opostos.

SOLUÇÃO. – Ao pequeno se opõe o grande. Ora, pequeno e grande são termos relativos, como dissemos. Ora, assim como um gasto pode ser pequeno relativamente a urna obra, assim também pode ser grande em relação a outra, de modo a exceder a proporção que deve ter com ela, segundo a regra da razão. Por onde, é manifesto que ao vício da parcimónia, pelo qual faltamos a proporção devida entre as nossas despesas e à obras correspondentes, procurando gastar menos do que o exige a dignidade delas, opõe–se o vício pelo qual excedemos essa proporção, gastando mais do que é a elas proporcionado. E esse vício se chama em grego banausia assim dito por causa da fornalha, porque ao modo do fogo de uma fornalha, tudo consome. Ou se chama apeirokalia isto é, sem bom fogo, porque, ao modo do fogo, tudo consome, mas não para o bem. Por isso, em latim esse vício pode chamar–se consumptio (consunção).

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A magnificência assim se chama porque no leva à prática de grandes obras; e não porque as nossas despesas excedam o que seria proporcionado às nossas obras. O que é próprio do vício oposto à parcimónia.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Um mesmo é o vício, contrário à virtude, que está no meio, e ao vício oposto. Assim, pois, o vício da consunção se opõe à parcimónia, por fazer as despesas excederem à dignidade da obra, levando–se a gastar muito quando deveríamos gastar pouco. Opõe–se porém, à magnificência, relativamente às grandes obras que o magnífico procura praticar principalmente, fazendo–nos gastar pouco, ou nada, quando deveríamos gastar muito.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O consumidor, pela espécie mesma do seu ato, se opõe ao parcimonioso, por ultrapassar a regra racional, a que o parcimonioso não atinge. Mas nada impede que isso se ordene ao fim de outro vício, por exemplo, da vanglória ou qualquer outro.