Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 – Se a honra importa algum elemento material.

O primeiro discute–se assim. – Parece que a honra não implica nenhum elemento material.

1. – Pois, pela honra prestamos reverência, como testemunho da virtude, conforme pode concluir–se do que diz o Filósofo. Ora, prestar reverência é ato espiritual; pois, reverência é um ato de temor, como se disse. Logo, a honra é de natureza espiritual.

2. Demais. – Segundo o Filósofo, a honra é o prêmio da virtude. Ora, o prêmio da virtude, consiste principalmente em atos espirituais, não é nada de material, por ser o prêmio mais nobre que o mérito. Logo, a honra não consiste em nada de material.

3. Demais. – A honra distingue–se do louvor e também da glória. Ora, o louvor e a glória são coisas exteriores. Logo, a honra consiste em bens interiores e espirituais.

Mas, em contrário, Jerônimo, expondo aquilo do Apóstolo – Honra as viúvas que são verdadeiramente viúvas; e os presbíteros que governam bem sejam honrados com estipêndio dobrado ­ diz: A honra, nesses textos, significa esmola ou serviço. Ora, ambas essas coisas, são corporais. Logo, a honra consiste em coisas corporais.

SOLUÇÃO. – A honra implica em testemunharmos a excelência de alguém; por isso, quem quer ser honrado busca um testemunho da sua excelência, como está claro no Filósofo. Ora, o testemunho é dado na presença de Deus ou dos homens. – Na presença de Deus, que lê os corações, basta o testemunho da boa consciência. Logo, a honra tributada a Deus pode consistir no só movimento do coração, isto é, em meditarmos na excelência divina ou na de outro homem, em presença de Deus. – Mas, não podemos testemunhar nada em presença dos homens senão mediante certos sinais externos, eu por atos, como as inclinações, as atenções e outros semelhantes; ou também por meios exteriores, como a oferta de dádivas nu de presentes ou expondo–lhes a imagem à veneração pública, ou por semelhante modo. E, assim, a honra consiste em sinais exteriores e corpóreos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÁO. – A reverência não é o mesmo que a honra. Mas, de um lado, é o princípio desta, pois, reverenciando a outrem – tributamos–lhe honra. De outro lado, porém, é o fim da honra, pois, se honramos a outrem é para fazê–lo reverenciado dos outros.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Como diz o Filósofo no mesmo lugar, a honra não é um prêmio suficiente da virtude; mas, nada pode haver de maior, entre as causas humanas e sensíveis, do que a honra, pois que as próprias coisas materiais são sinais demonstrativos da excelência da virtude. Pois, é natural ao bom e ao belo o manifestarem–se, conforme à Escritura: Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas poem–na sobre o candieiro, a fim de que ela dê luz a todos os que estão na casa. E por isso se diz que o premio da virtude é a honra.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O louvor distingue–se da honra, de dois modo? – Primeiro, por consistir ele só em sinais verbais; ao passo que a honra, em quaisquer sinais. E, por aí, o louvor se inclui na honra. – De outro modo porque, tributando honra a alguém, damos absolutamente falando, testemunho da excelência da sua bondade; ao passo que, pelo louvor, testemunhamos–lhe a bondade relativamente ao fim, assim como louvamos quem age bem em vista de um fim. Demais, honramos os ótimos, que não se ordenam para o fim, mas já o possuem, como está claro no Filósofo. – Quanto à glória, ela é feito da honra e do louvor; porque, testemunhando a bondade do próximo, tornamo–la preclara no conhecimento de muitos. O que está compreendido na denominação mesma de glória; pois, glória significa, por assim dizer, o que é claro. Por isso, sobre um texto do Apóstolo, diz uma glosa de Agostinho, que a glória é o claro conhecimento da virtude acompanhado de louvor.