Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a adulação é pecado mortal.

O segundo discute–se assim. – Parece que a adulação é pecado mortal.

1. – Pois, segundo Agostinho, o mal é assim chamado porque causa dano. Ora, nada causa mais dano do que a adulação, segundo a Escritura: Porque o pecador tira louvor nos desejos de sua alma e o iníquo é abençoado: o pecador irritou ao Senhor. E jerónimo diz, que nada corrompe tão facilmente o coração dos homens como a adulação. E aquilo da Escritura ­ Voltem–se logo envergonhados os que me dizem: bem, bem – diz a Glosa: A língua do adulador é mais prejudicial do que a espada do perseguidor. Logo, a adulação é um pecado gravíssimo.

2. Demais. – Quem prejudica a outrem com palavras não prejudica menos a si que aos outros; donde o dizer a Escritura: A espada deles traspasse o seu coração. Ora, quem adula a outrem indú–lo a pecar mortalmente; por isso, àquilo da Escritura – O azeite do pecador não chegue a ungir a minha cabeça – diz a Glosa: O falso elogio do adulador precipita as almas, da rigidez da verdade, na moleza do vício. Logo, com muito maior razão o adulador, em si mesmo, peca mortalmente.

3. Demais – Uma decretal determina: O clérigo surpreendido na prática da adulação e da traição seja deqradado do seu oficio. Ora, tal pena só se inflige ao pecado mortal. Logo, a adulação é um pecado mortal.

Mas, em contrário, Agostinho enumera entre os pecados menores: Sé alguém, voluntariamente ou levado pela necessidade, se puser a adular a pessoa de qualquer superior.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos, pecado mortal é o que contraria à caridade. Ora, a adulação às vezes a contraria e, às vezes, não.

Contraria à caridade, de três modos. ­De um modo, em razão da matéria; por exemplo, quando alguém louva o pecado de outrem. O que vai contra o amor de Deus, contra cuja justiça, então falamos e contra o amor ao próximo, cujo pecado favorecemos. Por isso, é pecado mortal, conforme à Escritura: Ai de vós, os que ao mau chamais bom. – De outro modo, em razão da intenção; por exemplo, quando alguém adula a outrem para prejudicá–lo com fraude, corporal ou espiritualmente. E isto também é pecado mortal; ao que se refere a Escritura: Melhores são as feridas feitas pelo que ama do que os ósculos fraudulentos do que quer mal. – De terceiro modo, por causa da ocasião; por exemplo, quando o louvor do adulador dá a outro ocasião de pecar, mesmo que isso não esteja na intenção do adulador. Mas, neste caso é mister distinguir se a ocasião foi dada ou aceita, e a queda que se lhe seguiu; como o pode esclarecer o que já dissemos quando tratamos do escândalo.

Porém, não vai contra a caridade quem, pelo só desejo de agradar os outros, ou mesmo para evitar um mal ou, em caso de necessidade, conseguir algum resultado, adular a outrem. Portanto, não comete pecado mortal, mas só venial.

·DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Os autores citados se referem ao adulador que louva o pecado de outrem. Pois, dessa adulação se diz que é mais nociva que a espada do perseguidor, pelo danificar nos bens mais elevados, que são os espirituais. Mas, esse dano não é do mesmo modo eficaz; porque o gládio do perseguidor, com causa eficiente da morte, mata efetivamente; ao passo que nenhum adulador pode ser a causa suficiente de outro pecar, como do sobredito resulta.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A objeção colhe quanto ao que adula com a intenção de danificar. Pois, esse mais se prejudica a si mesmo que aos outros; porque, enquanto a si mesmo se prejudica como causa suficiente do pecado. aos outros o faz, só ocasionalmente.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O lugar citado se refere ao que traiçoeiramente adula a outrem para enganá–lo.