Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 4 – Se é lícito aos clérigos matar os malfeitores.

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O quarto discute-se assim. – Parece que é lícito aos clérigos matar os malfeitores.

1. – Pois, os clérigos, sobretudo, devem cumprir o que recomenda o Apóstolo: Sede meus imitadores como também eu o sou de Cristo, mandando-nos assim que imitemos a Deus e a seus santos. Ora, o próprio Deus, a quem adoramos, mata os malfeitores, conforme à Escritura: O que feriu ao Egito com os seus primogênitos. E também Moisés mandou os levitas matarem vinte e três mil homens, por causa da adoração do bezerro. E o sacerdote Fineas matou um Israelita que prevaricou com uma mulher madianita; e Samuel também matou a Agag rei de Amaleque; e Elias, os sacerdotes de Baal e Matatias aquele que se achegava ao altar para sacrificar; e em o Novo Testamento, Pedro matou Ananias e a Safira, o que tudo se lê na Escritura. Logo, parece que também aos clérigos é lícito matar os malfeitores.

2. Demais. – O poder espiritual é maior que o temporal e mais aproximado de Deus. Ora, o poder temporal mata licitamente os malfeitores, como ministro de Deus, segundo o dito do Apóstolo. Logo, com maior razão, aos clérigos, que são ministros de Deus e detentores do poder espiritual, é lícito matar os malfeitores.

3. Demais. – Quem exerce licitamente um ofício pode licitamente praticar todos os atos pertencentes a esse ofício. Ora, o ofício dos príncipes da terra é matar os malfeitores, como se disse. Logo, os clérigos, que são príncipes da terra podem matá-los licitamente.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Importa que o bispo seja irrepreensível, não dado ao vinho, não espancador.

SOLUÇÃO. – Não é lícito aos clérigos matar, por dupla razão. – Primeiro, por serem eleitos para o ministério do altar, em que se representa a paixão da morte de Cristo, como diz a Escritura. O qual, quando o espancavam, não espancava. Logo, não convém que os clérigos espanquem ou matem. Pois, os ministros devem imitar ao seu Senhor, conforme à Escritura. Qual é o juiz do povo, tais são também os seus ministros. – A outra razão é que aos clérigos foi cometido o ministério da lei nova, que não determina a pena de morte ou da mutilação do corpo por ano, para serem ministros idôneos do Novo Testamento devem abster-se de tais coisas,

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ Deus obra universalmente em todos os seres aquilo que é reto; mas, em cada um, segundo o que lhe convém. E por isso cada qual deve imitar a Deus no que especialmente lhe cabe. Por onde, embora Deus mate, mesmo corporalmente, os malfeitores, contudo, não importa que todos nisso o imitem. – Quando a Pedro, não matou Ananias e Safira por autoridade nem por mão própria; mas, antes, publicou a sentença divina que lhes cominava à morte. – Por seu lado, os sacerdotes ou levitas do Antigo Testamento eram ministros da lei antiga, em virtude da qual infligiam-se penas corporais. E portanto, lhes competia matar por mão própria.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O ministério dos clérigos visa a um fim melhor do que dar a morte ao corpo; isto é, o que respeita à salvação espiritual. Por isso não lhes convém envolverem-se com coisas inferiores.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Os prelados das Igrejas recebem o ofício de príncipes da terra, não para exercerem por si mesmos o ofício do sangue, mas para que este se exerça por outros mediante a autoridade deles.