Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 – Se a adoração exige lugar determinado.

O terceiro discute–se assim. – Parece que a adoração não exige nenhum lugar determinado.

1. – Pois, diz a Escritura: É chegada a hora em que vós não adorareis o Pai nem neste monte nem em Jerusalém. Ora, o mesmo se pode dizer de qualquer outro lugar. Logo, não é necessário nenhum lugar determinado, para adorarmos.

2. Demais. – A adoração exterior se ordena à interior. Ora, a adoração interior nós a fazemos a Deus, enquanto existente em toda parte. Logo, a exterior não exige nenhum lugar determinado.

3. Demais. O mesmo Deus é adorado no Antigo e em o Novo Testamento. Ora, no Antigo, a adoração, os Judeus a faziam voltados para o ocidente, pois a porta do tabernáculo estava voltada para o oriente, como se vê na Escritura. Logo, pela mesma razão devemos adorá–lo agora voltados para o ocidente, desde que a adoração exige um lugar determinado.

Mas, em contrário, o Evangelho, referindo–se a um outro lugar da Escritura: A minha casa é casa de oração.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos, o principal na adoração é a devoção interior da mente; secundário é o que respeita aos sinais corporais externos. Ora, interiormente o nosso espírito apreende a Deus como não circunscrito em nenhum lugar; ao contrário, os sinais corpóreos necessariamente se realizam em lugar e situação determinados. Por onde, de maneira principal, a adoração não exige nenhuma determinação de lugar, como lhe sendo necessário, mas só por uma certa conveniência, como se dá com outros sinais corpóreos.

DONDE À RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – O Senhor, com as palavras citadas, prenuncia a cessação da adoração, tanto relativamente ao rito dos judeus, que adoravam em Jerusalém, como ao dos Samaritanos, que adoravam no monte Garizim. Pois, um e outro rito cessaram com o advento da verdade espiritual do Evangelho, pelo qual em todo lugar se sacrifica a Deus, como diz a Escritura.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Escolhemos um lugar determinado para orar, não por causa de Deus, como se para o adorarmos tivesse necessidade de ser encerrado num lugar; mas por causa ele nós, que adoramos, E isto por tríplice razão. A primeira, pela consagração do lugar, que nos leva, quando oramos, a uma devoção especial, de modo que sejamos melhor ouvidos, como se lê na Escritura a respeito ela adoração ele Salomão. A segunda, por causa dos mistérios sagrados e dos outros sinais de santidade que ele encerra. A terceira, por causa do grande concurso dos que adoram, conforme aquilo do Evangelho: Onde se acham dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Por uma certa conveniência é que adoramos voltados para o oriente. Primeiro, como um indício da divina majestade, que se nos manifesta no movimento do céu, procedente do oriente. Segundo, por causa elo paraíso, como se quisessemos voltar para ele, colocado que está no oriente, conforme à Escritura, segundo a letra dos Setenta. Terceiro, por causa de Cristo, que é a luz do mundo e se chama Oriente; e que sobe sobre todos os céus para a parte do oriente; e também é esperado como havendo de vir do Oriente, conforme ao Evangelho: Do modo que um relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim há–de ser também a vinda do Filho do homem.