Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 – Se o voto é um ato de Iatria ou de religião.

O quinto discute–se assim. – Parece que o voto não é um ato ele latria ou ele religião.

1. – Pois, todo ato de virtude pode ser objeto ele voto, Ora, é uma mesma virtude a que nos leva a prometer e cumprir o prometido. Logo, o voto é ato de qualquer virtude e não especialmente da de religião.

2. Demais. – Segundo Túlio, é próprio da religião prestar culto e reverência a Deus. Ora, quem faz voto ainda não fez nada para Deus, mas só lhe prometeu. Logo, o voto não é ato de religião.

3. Demais. – O culto da religião só a Deus devemos prestá–Io. Ora, o voto nós o fazemos não só a Deus, mas também aos santos e aos prelados, aos quais fazem voto de obediência os que professam na vida religiosa. Logo, o voto não é um ato de religião.

Mas, em contrário, a Escritura: Honrá–lo–ão com hóstias e ofertas; e farão ao Senhor votos e os cumprirão. Ora, adorar a Deus é um ato próprio da religião ou Iatria. Logo, ato de latria ou de religião é o voto.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos todo ato de virtude, enquanto imperado pela religião ou latria, dela depende, e se ordena à reverência divina, fim próprio da latria. Ora, ordenar os atos das outras virtudes para o seu fim, pertence à virtude imperante e não, às virtudes imperadas. Por onde, é ato próprio da latria ordenar para o serviço de Deus os atos de qualquer virtude. Ora, é manifesto pelo que já dissemos, que o voto é uma promessa feita a Deus; e que uma promessa não é mais que a ordenação da coisa prometida aquele a quem o é. Portanto, o voto é uma ordenação daquilo sobre que recai, para o culto ou o serviço divino. E assim é claro que fazer voto é propriamente ato de latria ou de religião.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – O objeto do voto é, às vezes, ato de outra virtude, como jejuar ou observar continência; outras vezes, porém, é ato de religião, como oferecer sacrifícios ou orar. Ora, a promessa de uns e de outros, feita a Deus, pertence à religião, pela razão já dada. Por onde, é claro, que, dos votos, uns pertencem à religião em virtude da só promessa feita a Deus, que é a essência do voto; mas, outras vezes, em razão da causa prometida, que é a matéria do voto.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Quem promete, já quando se obriga a dar, de certo modo dá assim como consideramos como feito o que já o é na sua causa, por estar o efeito virtualmente contido na causa. Por isso é que se rendem graças não só a quem dá, mas a quem simplesmente prometeu.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Voto só a Deus o fazemos, mas, promessa podemos fazê–Ia também aos homens; e a promessa mesma de um bem feito ao homem pode ser objeto de voto, enquanto ela é uma obra virtuosa. E deste modo é que se deve entender o voto feito aos santos ou aos prelados; de modo que a promessa que lhes é feita constitui o objeto material do voto, enquanto que fazemos a Deus o voto de cumprir o prometido aos santos ou aos prelados.