Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 – Se o juramento é um ato da religião ou de latria.

O quarto discute–se assim. – Parece que o juramento não é um ato de religião ou de latria.

1. – Pois os atos de latria tem por objeto as coisas divinas e sagradas. Ora, o objeto dos juramentos são as controvérsias humanas, como diz O Apóstolo. Logo, jurar não é ato de religião ou de latria.

2. Demais. – O próprio da religião é prestar culto a Deus, como diz Túlio. Ora, quem jura nada oferece a Deus, invocando–o apenas como testemunha. Logo, jurar não é ato de religião ou de latria.

3. Demais. – O fim da religião ou latria é prestar reverência a Deus. Ora, o juramento não tem esse fim, mas, o de confirmar as nossas palavras. Logo, jurar não é ato de religião.

Mas, em contrário, a Escritura: Temerás ao Senhor teu Deus e só a ele servirás e não jurarás senão pelo seu nome. E aí ela se refere ao modo de servir a Deus chamado latria. Logo, jurar é ato de latria.

SOLUÇÃO. – Como se colhe do que foi dito, quem jura invoca o testemunho de Deus para confirmar o que diz. Ora, nada é confirmado senão pelo que é mais certo e tem maior valor. Logo, quem jura por Deus confessa que ele é mais poderoso, por ter a verdade infalível e ser conhecedor universal de tudo; e assim lhe presta de certo modo reverência. Donde o dizer o Apóstolo: Os homens juram pelo que há maior que eles. E Jerônimo nota, que quem jura, ou venera ou ama aquele por quem jura. Também o Filósofo: O juramento é o que há de mais respeitável. Ora, prestar reverência a Deus é objeto da religião ou latria. Por onde é manifesto, que o juramento é ato de religião ou de latria.

DONDE RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Dois elementos se consideram no juramento: o testemunho invocado, que é o divino; e o objeto sobre que ele recai e o torna necessário, e esse é o elemento humano. Logo, em razão do primeiro elemento, o juramento pertence à religião, mas não, em razão do segundo.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Por isso mesmo que invocamos a Deus como testemunha, quando juramos, nós o confessamos como maior que nós. E isso mesmo é reverenciá–lo e, assim, fazer–lhe a oferenda da reverência e da honra.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Tudo o que fazemos há de ser para reverenciar a Deus. Por onde, nada impede que ao mesmo tempo visemos certificar os homens e reverenciar a Deus. Pois, devemos honrar a Deus de modo que daí resulte alguma utilidade para o próximo, porque também Deus obra para a sua glória e a nossa utilidade.