Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 12 – Se a prudência é própria dos súditos ou só dos chefes.

O duodécimo discute-se assim. – Parece que a prudência não é própria dos súditos, mas só dos chefes.

1. – Pois, diz o Filósofo, a prudência é uma virtude própria só dos chefes; ao passo que as outras virtudes são comuns aos súditos e aos chefes. Mas, própria do súdito não é a virtude da prudência, senão a de opinar com verdade.

2. Demais. – Aristóteles diz, que o escravo não é absolutamente capaz de conselho. Ora, é a prudência que faz os bens aconselhados, como diz o mesmo. Logo, a prudência não é própria dos escravos, ou dos súditos.

3. Demais. – À prudência é próprio ordenar, como se disse. Ora, ordenar não pertence aos escravos nem aos súditos, mas, só aos príncipes. Logo, a prudência não é própria dos súditos, mas só dos chefes.

Mas, em contrário, diz o Filósofo, que a prudência política tem duas espécies: uma, que faz as leis, e é própria do chefe; a outra, que tem o nome comum de política, e versa sobre as coisas particulares. Ora, pertence também aos súditos praticar esses atos particulares. Logo, a prudência não é própria só dos chefes, mas também, dos súditos.

SOLUÇÃO. – A prudência tem sua sede na razão. Ora, à razão, propriamente pertence reger e governar. Por onde, na medida em que cada um participa da regência e do governo, nessa mesma lhe convém a razão e a prudência. Ora, é manifesto que aos súditos, como tais e, como tais, aos escravos, não compete reger e governar, mas antes, serem regidos e governados. Portanto, a prudência não é virtude de escravos, enquanto tais, nem de súditos, enquanto tais. Mas, todo homem, enquanto racional, participando, de certo modo, do governo, pelo arbítrio da sua razão, nessa mesma medida lhe convém a prudência. Por onde é claro, que a prudência existe no príncipe, a modo de arte arquitetônica, como diz Aristóteles; nos súditos, porém, a modo de arte do operário manual.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A expressão do Filósofo deve ser entendida em sentido próprio; isto é, porque a prudência não é virtude do súbdito, enquanto tal.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O escravo não é capaz de conselho, enquanto escravo; pois, como tal, é instrumento do seu dono. Contudo o é, enquanto animal racional.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Pela prudência o homem não só ordena aos outros, mas também, a si mesmo; isto é, no sentido em que dizemos que a razão ordena às potências inferiores.