Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 2 – Se a eubulia é uma virtude distinta da prudência.

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O segundo discute-se assim. – Parece que a eubulia não é uma virtude distinta da prudência.

1. – Pois, como diz o Filósofo, e próprio do homem prudente deliberar com acerto. Ora, isto pertence à eubulia, como se disse. Logo, a eubulia não se distingue da prudência.

2. Demais. – Os atos humanos, aos quais se ordenam as virtudes humanas, especificam-se principalmente pelo fim, como resulta do sobredito. Ora, a eubulia e a prudência ordenam-se para o mesmo fim, conforme Aristóteles, não, certo, a um fim particular, mas ao fim comum de toda a vida humana. Logo, a eubulia não é uma virtude distinta da prudência.

3. Demais. – Na ordem especulativa, a mesma ciência que indaga também determina. Logo, por igual razão, na ordem operativa, o mesmo se dá com uma mesma virtude. Ora, indagar é próprio da eubulia; e determinar, da prudência. Logo, a eubulia não é uma virtude distinta da prudência.

Mas, em contrário, a prudência é preceptiva, como diz Aristóteles. Ora; tal não convém à eubulia. Logo, a eubulia é uma virtude diferente da prudência.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, a virtude se ordena propriamente ao ato, que torna bom. Por onde, a diferença das virtudes depende necessariamente da dos atos; e sobretudo, quando a bondade dos atos não for da mesma natureza. Pois, se a bondade deles fosse da mesma natureza, então à mesma virtude seriam próprios diversos atos; assim, do mesmo objeto depende a bondade do amor, do desejo e da alegria, e por isso pertencem eles à mesma virtude da caridade. Ora, os atos da razão ordenada à prática são diversos; nem tem bondade da mesma natureza. Assim, não é ao mesmo título que um homem delibera com acerto, julga bem e acertadamente manda, pois, como é claro, essas atividades existem às vezes separadas. Ora, assim como o deliberar se ordena para o mandar, como para o mais principal, assim também, a eubulia, para a prudência, como para a virtude mais principal, sem a qual nem existiria virtude; assim como não existem as virtudes morais sem a prudência, nem as outras virtudes, sem a caridade.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ A prudência pertence deliberar com acerto, imperativamente; à eubulia, porém, elicitamente.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Diversos atos se ordenam, num certo grau, a um fim último, que é viver totalmente bem. Assim, o conselho precede; segue-se-lhe o juízo e vem, por último, a ordem, que se relaciona imediatamente com o fim último, ao passo que os outros dois atos, remotamente. Que, contudo, tem certos fins próximos, a saber: o conselho, descobrir o que deve ser feito; e o juízo, a certeza. Mas daqui se não segue não sejam a eubulia e a prudência virtudes diversas, mas, que a eubulia se ordena para a prudência como a virtude secundária, para a principal.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Também na ordem especulativa uma ciência racional é a dialética, ordenada à indagação inventiva e outra, a demonstrativa, que tem por fim determinar a verdade.