Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 1 – Se a negligência é um pecado especial.

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O primeiro discute-se assim. – Parece que a negligência não é um pecado especial.

1. – Pois, a negligência opõe-se à diligência. Ora, toda virtude requer a diligência bem como a eleição. Logo, a negligência não é um pecado especial.

2. Demais. – O que existe em todo pecado não é um pecado especial. Ora, a negligência existe em todo pecado, pois todo aquele que peca neglige aquilo pelo que podia livrar-se dele; e quem persevera no pecado neglige o arrepender-se dele. Logo, a negligência não é um pecado especial.

3. Demais. – Todo pecado especial tem uma determinada matéria. Ora, parece que a negligência não tem uma determinada matéria. Pois, não versa sobre atos maus, ou indiferentes, porque não se imputam tais atos a ninguém, que deixa de praticá-los. Semelhantemente, não versa sobre os atos bons, pois, praticados com negligência, já não são bons. Logo, parece que a negligência não é um vício especial.

Mas, em contrário, os pecados cometidos por negligência distinguem-se, por contrariedade, dos cometidos por desprezo.

SOLUÇÃO. – A negligência implica a falta da solicitude devida. Ora, toda falta do ato devido tem natureza de pecado. Por onde é manifesto, que a negligência tem natureza de pecado. E do modo pelo qual a solicitude é ato de uma virtude especial, desse mesmo é necessariamente a negligência um pecado especial. Há, porém certos pecados especiais que recaem sobre uma cerra matéria especial, como a luxúria, sobre as relações venéreas; outros vícios são especiais por causa da especialidade do ato, que se estende a qualquer matéria moral. Por onde, sendo a solicitude um certo ato especial da razão, como se estabelece consequentemente a negligência, que implica falta de solicitude, é um pecado especial.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Parece que a diligência é o mesmo que a solicitude; pois, pomos maior solicitude naquilo que amamos. Por onde, a diligência, como a solicitude, é necessária para qualquer virtude, enquanto que qualquer virtude exige os atos devidos da razão.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Em qualquer pecado há necessariamente falta de algum ato da razão; por exemplo., falta de conselho e de outros atos semelhantes. Por onde, assim como a precipitação é um pecado especial, por causa do ato especial de razão que ela pretere, a saber, o conselho, embora possa ela existir em qualquer gênero de pecado, assim, a negligência é um pecado especial, pela falta do ato especial da razão, que é a solicitude, embora ela exista, de certo modo, em todos os pecados.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A matéria da negligência são propriamente os atos bons que devemos praticar. Não que sejam bons quando negligentemente praticados, mas porque a negligência causa neles a falta de bondade, quer o ato devido seja preterido totalmente por falta de solicitude, quer seja preterida também alguma circunstância própria do ato.