Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 5 – Se a fraude pertence à astúcia.

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O quinto discute-se assim. – Parece que a fraude não pertence à astúcia.

1. – Pois, não merece louvores quem se deixa enganar; e enganar é ao que tende a astúcia. Ora, louvores merece quem se deixa fraudar, conforme aquilo do Apóstolo. Porque não sofreis vós antes a fraude? Logo, a fraude não pertence à astúcia.

2. Demais. – A fraude parece dizer respeito ao ato de nos apoderarmos ou retermos as coisas externas; pois, diz o Apóstolo. Um varão, pois, por nome Ananias, como sua mulher Safira, vendeu um campo e com fraude usurpou certa porção do preço do campo. Ora, usurpar ou reter as coisas exteriores ilicitamente é próprio da injustiça ou da iliberalidade. Logo, a fraude não pertence à astúcia, que se opõe à prudência.

3. Demais. – Ninguém usa de astúcia contra si próprio. Ora, certos usam de fraudes para consigo mesmo; assim, diz a Escritura que certos tramam enganos para ruína de suas almas. Logo, a fraude não pertence à astúcia.

Mas, em contrário. – A fraude se ordena ao engano, conforme aquilo da Escritura: Será ele surpreendido como um homem com os nossos enganos? Ora, a astúcia se ordena ao mesmo fim. Logo, a fraude pertence à astúcia.

SOLUÇÃO. – Assim como o dolo consiste na execução da astúcia, assim também a fraude. Mas diferem em que o dolo se aplica universalmente à execução da astúcia, quer por palavras, quer por atos. Ao passo que a fraude se aplica mais propriamente à execução da astúcia, por meio de atos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ O Apóstolo não induz os fiéis a se deixarem enganar, no seu conhecimento, mas a tolerarem pacientemente o efeito do engano, suportando as injúrias fraudulentamente assacadas contra eles.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A execução da astúcia pode operar-se por meio de algum outro vício, assim como a execução da prudência se realiza pelas virtudes. E deste modo, nada impede a de fraudação incluir-se na avareza ou na iliberalidade.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Os que praticam fraudes não têm intenção de tramar nada contra si mesmos ou contra as suas almas. Mas o justo juízo de Deus faz voltar-se contra eles o que tramaram contra os outros, segundo à Escritura: Caiu na cova que fez.