Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 – Se o uso do vinho é totalmente ilícito.

O terceiro discute–se assim. – Parece que o uso do vinho é totalmente ilícito.

1. – Pois, sem sabedoria não pode ninguém trilhar o caminho da salvação; assim, diz a Escritura: Deus a ninguém ama senão ao que habita com a sabedoria; e mais abaixo: Pela sabedoria é que foram sarados todos quantos te agradariam, Senhor, desde o princípio. Ora, o uso do vinho impede a sabedoria; assim diz a Escritura: Pensei dentro no meu coração apartar do vinho a minha carne afim de passar o meu ânimo à sabedoria. Logo, beber vinho é absolutamente ilícito.

2. Demais. – O Apóstolo diz: Bom é não comer carne nem beber vinho, nem coisa em que teu irmão acha tropeço ou se escandaliza ou se enfraquece. Ora, abandonar o bem da virtude é vicioso e semelhantemente escandalizar o próximo. Logo, usar do vinho é ilícito.

3. Demais. – Jerônimo diz, que o vinho com a carne foi permitido depois do dilúvio; Cristo porém veio no fim dos séculos para restabelecer as coisas como eram no princípio. Logo, na vigência da lei cristã parece ilícito o vinho.

Mas, em contrário, diz o Apóstolo: Não bebas mais água só; mas usa pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades. E noutra parte diz a Escritura: O vinho bebido moderadamente é júbilo da alma e do coração.

SOLUÇÃO – Nenhuma comida ou bebida em si mesma considerada é ilícita, segundo o dito do Senhor, no Evangelho: Não é o que entra pela boca o que faz imundo o homem. Logo, beber vinho, não é, em si mesmo, ilícito. Mas pode tornar–se ilícito por acidente. Ora, pela condição de quem bebe que facilmente se deixa prejudicar pelo vinho, ou por se ter obrigado, por um voto especial a não beber vinho. Ora, pelo modo de beber, se, nesse ponto, exceder a medida. Ora, ainda, no que respeita aos outros, que com isso se escandalizem.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A sabedoria podemos vê–Ia de dois modos. Primeiro, geralmente, enquanto baste para a salvação. E, então, não é preciso, para conseguirmos a sabedoria, que nos abstenhamos completamente do vinho, senão só do uso imoderado dele. – De outro modo, relativamente ao grau de perfeição. E então é necessário para certos, afim de conseguirem a sabedoria, que se abstenham totalmente do vinho, conforme as condições de pessoas e de lugares.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O Apóstolo não diz que, absolutamente falando, é bom abstermo–nos do vinho; mas no caso em que o uso dele escandaliza a outrem.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Cristo nos proíbe certas coisas como absolutamente ilícitas; certas outras, porém, como impedimento à perfeição; e deste modo proíbe a certos, em busca da perfeição, o uso do vinho, como das riquezas e de coisas semelhantes.