Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 – Se a luxúria relativa aos atos venéreos pode ser pecado.

O terceiro discute–se assim. – Parece que a luxúria relativa aos atos venéreos, não pode constituir nenhum pecado.

1. – Pois, todo ato venéreo implica a emissão do sémen, que é uma superfluidade do alimento, como está claro no Filósofo. Ora, não há nenhum pecado na emissão das outras superfluidades. Logo, também não pode haver nenhum pecado na prática dos atos venéreos.

2. Demais. – Cada um pode usar licitamente do que lhe pertence. Ora, no ato venéreo, o homem não usa senão do que é seu, salvo no adultério e no rapto. Logo, na pratica dos atos venéreos não pode haver pecado. E assim, não será pecado a luxúria.

3. Demais. – Todo pecado se opõe a outro. Ora, parece que a nenhum se opõe a luxúria. Logo, a luxúria não é pecado.

Mas, em contrário, a causa tem prioridade sobre o efeito. Ora, o vinho é proibido por causa da luxúria, como diz o Apóstolo: E não vos deis com excesso do vinho, donde nasce a luxúria. Logo, a luxúria é proibida.

Ademais. – O Apóstolo o enumera entre as obras da carne.

SOLUÇÃO. – Quanto mais necessária for uma coisa, tanto mais deve ser governada pela regra da razão; e portanto será tanto mais viciosa quanto mais preterir a ordem racional. Ora, a prática dos atos venéreos é sumamente necessária ao bem comum, que é a conservação do género humano. Por isso, deve ser sumamente regulada pela ordem da razão. E por consequência será vicioso o que, nessa matéria, se fizer contra tal ordem. Ora, a luxúria por natureza excede o modo racional na prática dos atos venéreos. Logo e sem dúvida, a luxúria é pecado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ­ Como diz o Filósofo, o sémen é uma superfluidade de que necessitamos; pois, embora se considere supérfluo por ser um resíduo da operação da virtude nutritiva, contudo é necessário para os fins da função gerativa. Mas, há outras superfluidades do corpo humano, que não são necessárias e por isso não importa como sejam excretadas, salvas, as conveniências da convivência humana. Mas, não se dá o mesmo com a emissão do sémen, que deve se operar de modo a satisfazer ao fim para o qual é necessário.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Diz o Apóstolo, falando contra a luxúria: Fostes comprados por um grande preço: glorificai pois, e trazei a Deus no vosso corpo. Ora, quem usa desordenadamente do seu corpo pela luxúria faz injúria a Deus que é o Senhor principal do nosso corpo. Por isso, diz Agostinho: O Senhor, que governa os seus servos para a utilidade deles e não para a sua, mandou não destruíres, pelos prazeres ilícitos, o seu templo, que começaste a ser.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Para a maior parte não há vício oposto à luxúria, porque os homens são inclinados aos prazeres. E contudo, o vício oposto está contido na insensibilidade. E este vício é o daqueles que detestam o uso da mulher, a ponto de não cumprirem o dever com a própria esposa