Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Questão 171: Da profecia.

Depois de termos tratado, em particular, de cada virtude e de cada vício, relativamente a todas as condições e a todos os estados de todos os homens, devemos agora tratar do que respeita especialmente a certos homens. Pois, há uma tríplice diferença entre eles, no concernente aos hábitos e aos atos da alma racional. – Primeiro, pelas diversas graças gratuitas; pois, como diz o Apóstolo, há repartição de graças e a um pelo Espírito é dada a palavra de sabedoria, a outro, a palavra de ciência, etc. ­ A segunda diferença se funda nas diversas vidas, a saber, a ativa e a contemplativa, fundadas na aplicação a obras diversas. Por isso, no mesmo lugar se diz que há repartição de graças. Pois, uma era a aplicação de Marta, que andava toda afadigada na continua lida da casa, o que pertence à vida ativa; outra, porém, era a preocupação de Maria, que, sentada aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra; e isso constitui a vida contemplativa, como se lê no Evangelho. – A terceira diferença vem da diversidade dos ofícios e dos estados, segundo a Escritura: Deu a uns, que fossem apóstolos, deu a outros a profecia; a estes concedeu que fossem evangelistas e aqueles pastores doutores. O que concerne aos diversos ministérios, dos quais diz o Apóstolo: E os ministérios são diversos.

As, devemos notar, em relação às graças gratuitas, objeto da primeira consideração, que certas respeitam ao conhecimento; outras, a palavra; outras, aos atos. Todas as que respeitam ao conhecimento podem ser compreendidas na profecia. Pois, a revelação profética abrange não só os acontecimentos humanos futuros, mas também às cousas divinas – tanto em relação às verdades propostas para que todos nelas creiam, o que constitui a fé, como em relação aos mais altos mistérios, propostos aos mais perfeitos e que são o objeto da sabedoria. Mas também a revelação profética abrange as substâncias espirituais, que nos induzem ao bem ou ao mal; o que respeita à discrição dos espíritos. E também se estende à direção dos atos humanos, o que é objeto da ciência, como a seguir se verá. Por isso, devemos tratar, primeiro, da profecia; e do rapto, que é um. grau da profecia.

Sobre a profecia há quatro considerações a fazer. A primeira, sobre a sua essência. A segunda, sobre a sua causa. A terceira, sobre o modo do conhecimento profético. A quarta, sobre a divisão da profecia.

Na primeira questão discutem–se seis artigos:

Art. 1 – Se a profecia pertence ao conhecimento.
Art. 2 – Se a profecia é um hábito.
Art. 3 – Se a profecia só tem por objeto os futuros contingentes.
Art. 4 – Se o profeta conhece pela revelação divina, tudo o que pode ser reconhecido profeticamente.
Art. 5 – Se o profeta discerne sempre o que conhece pelo seu espírito próprio, do que conhece pelo espírito de profecia.
Art. 6. – Se o que é conhecido ou anunciado profeticamente pode ser falso.