Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 – Se a vida contemplativa não encerra nenhum afeto, mas está toda no intelecto.

O primeiro discute–se assim. – Parece que a vida contemplativa não encerra nenhum afeto, mas está toda no intelecto.

1. – Pois, diz o Filósofo, que o fim da contemplação é a verdade. Ora, a verdade está totalmente no intelecto. Logo, parece que a vida contemplativa está toda no intelecto.

2. Demais. – Gregório diz, que Raquel, cujo nome se interpreta – contemplação do princípio – significa a vida contemplativa. Ora, contemplar os princípios é função própria do intelecto. Logo, a vida contemplativa propriamente pertence ao intelecto.

3. Demais. – Gregório diz, que a vida contemplativa consiste na quietude de toda ação exterior. Ora, a potência afetiva ou afetiva inclina para as ações externas. Logo, parece que a vida contemplativa de nenhum modo pertence à potência apetitiva.

Mas, em contrário, Gregório diz que a vida contemplativa consiste em praticar com toda a alma a caridade para com Deus e o próximo e entregar–se completamente ao só desejo do Criador. Ora, o desejo e o amor pertencem à potência afetiva ou apetitiva, como se estabeleceu. Logo, também a vida contemplativa tem alguma raiz na potência afetiva ou apetitiva.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, vida contemplativa se chama à daqueles que principalmente se aplicam à contemplação da verdade. Ora, essa aplicação é um ato voluntário, como estabelecemos; pois, visa um fim, o que é o objeto da vontade. Logo, a vida contemplativa, pela essência mesma da sua ação, pertence ao intelecto; mas enquanto nos leva a praticar um determinado ato, pertence à vontade, que move todas as outras potências, e também o intelecto, para o seu ato, como demonstrámos.

Mas, a potência apetitiva nos move à consideração de um objeto, ou sensível ou inteligivelmente. Ora, pelo amor que temos pelo objeto considerado, como no caso do Evangelho: Onde está o teu tesouro aí está também o teu coração. Ora, pelo amor mesmo do conhecimento, que a consideração nos ministra. Por isso, Gregório constitui a vida contemplativa no amor de Deus, porque esse amor nos faz arder no desejo de lhe contemplar a beleza. E como nós nos deleitamos quando alcançamos o objeto amado, por isso a vida contemplativa termina em a deleitação, existente no afeto, e da qual também tira o amor a sua força.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Pelo fato mesmo de ser a verdade o fim da contemplação, ela tem a natureza de bem apetecível, amável e deleitável. E por aí pertence à potência apetitiva.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A visão mesma do primeiro princípio, que é Deus, desperta–nos a amá–lo, Por isso, diz Gregório, que a vida contemplativa nos faz desprezar todos os cuidados e arder em desejos de contemplar o Criador face a face.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A potência apetitiva não somente nos move os membros corpóreos para praticar atos externos, mas também o intelecto para exercer o ato da contemplação como dissemos.